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28/Apr/2026

Leite: o futuro da produção e prioridades do setor

A pesquisa anual da empresa de consultoria McKinsey & Company, realizada com executivos de laticínios na América do Norte e Europa, mostra uma indústria que enfrenta intensa pressão de custos e margens, mesmo com o crescimento da demanda. Nos primeiros meses de 2026, os laticínios nos Estados Unidos e na Europa encontram-se operando em um ambiente desafiador: definido por inflação de custos persistente, restrições de mão de obra, volatilidade de insumos e incerteza crescente em relação ao comércio e regulamentação, particularmente na Europa. Ao mesmo tempo, os riscos do lado da oferta estão aumentando à medida que os produtores lidam com questões de saúde animal (como a gripe aviária altamente patogênica, a larva-varejeira do Novo Mundo e a língua azul), além de interrupções relacionadas ao clima e restrições estruturais no crescimento da oferta de leite em diversos mercados europeus. Ainda assim, a demanda principal permanece resiliente. Os consumidores continuam a priorizar os laticínios como uma fonte primária de nutrição, sustentando o crescimento em categorias-chave mesmo em um cenário macroeconômico mais cauteloso.

Essas correntes cruzadas se traduzem em um imperativo claro: proteger as margens e a execução no curto prazo, enquanto se investe seletivamente em temas de crescimento duradouros, mais notavelmente, a inovação liderada por proteínas. Foram entrevistados 204 executivos do setor de laticínios (116 nos Estados Unidos e 88 na Europa). Os participantes vieram de diversos tipos de empresas, incluindo processadores, varejistas e empresas de embalagens. A maioria das empresas participantes tem sede nos Estados Unidos e na Europa (Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Espanha e Reino Unido). Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, a gestão de custos e o crescimento de volume estão entre as principais prioridades estratégicas. As prioridades dos executivos norte-americanos são amplamente semelhantes às do ano passado. O talento está no topo da agenda nos Estados Unidos, mas é menos prioritário na Europa. A sustentabilidade, por outro lado, continua sendo uma prioridade máxima na Europa, mas não nos Estados Unidos.

Em todas as regiões, a inflação de custos e a volatilidade dos preços das commodities continuam a comprimir as margens. Aproximadamente 65% dos entrevistados nos Estados Unidos classificam a gestão de custos entre suas três principais prioridades, em linha com 2024 (69%) e acima de 2023 (48%), refletindo aumentos sustentados nos custos de matérias-primas e logística. Os líderes europeus relatam pressão semelhante. Essas pressões são evidentes nos resultados das margens. Nos Estados Unidos, quase 70% das empresas de laticínios pesquisadas relataram margens estagnadas ou decrescentes em 2025. A Europa mostra uma dinâmica comparável, com 57% relatando o mesmo cenário. Os altos custos de matérias-primas e logística espremeram as margens. Em ambos os mercados, o crescimento de receita e volume continua sendo prioridade estratégica. Cerca de 55% dos processadores norte-americanos e 65% dos europeus classificam o crescimento de volume como prioridade máxima. Os líderes europeus são mais contidos: cerca de 40% esperam que seus volumes permaneçam estáveis ou diminuam, possivelmente refletindo preocupações com restrições de oferta.

O otimismo quanto à receita é compartilhado: 87% dos entrevistados norte-americanos e 84% dos europeus antecipam aumentos de receita nos próximos três anos, impulsionados pela demanda por proteína. Talentos e mão de obra é um ponto de grande divergência. Nos Estados Unidos, 61% citam o talento como prioridade máxima, enfrentando desafios na retenção de mão de obra fabril e operacional. Na Europa, apenas 18% citam o talento como prioridade estratégica no nível do processador, embora a escassez de mão de obra seja uma preocupação nas fazendas. Na Europa, 53% dos executivos classificam a sustentabilidade entre suas três principais prioridades, contra apenas 16% nos Estados Unidos. O foco mudou de narrativas amplas de ESG para uma execução pragmática: conformidade regulatória, redução de emissões e eficiência operacional (como redução de metano e otimização de água e energia). A percepção é que as pessoas podem dizer que querem alimentos sustentáveis, mas, no momento, os consumidores não estão preparados para pagar por isso.

Nos Estados Unidos, as preocupações (lucratividade e economia doméstica) estão alinhadas com as prioridades. Na Europa, há uma desconexão: os líderes citam a segurança de suprimento (45%) e a escassez de mão de obra (37%) como maiores preocupações, à frente da lucratividade. Isso reflete um ambiente onde restrições estruturais e regulamentações ambientais mais rigorosas moldam o que é viável. O envelhecimento da população agrícola agrava essas pressões. 64% dos executivos expressam preocupação com a sucessão nas fazendas, notando que o número de agricultores diminui mais rápido do que o volume de leite, sinalizando uma fragilidade estrutural. Embora os líderes reconheçam o potencial de produtividade da inteligência artificial, a adoção é seletiva. Cerca de 70% das organizações estão em fases piloto. Barreiras incluem preocupações com segurança, falta de expertise e ROI (retorno sobre investimento) incerto.

No entanto, a McKinsey nota um fosso de desempenho: líderes digitais em mercados de consumo e agrícolas geraram retornos totais aos acionistas significativamente maiores entre 2019 e 2024 do que seus pares, sugerindo que o investimento digital será um diferencial competitivo crucial. O sucesso para os líderes de laticínios em 2026 exige foco e determinação, fundamentando-se em um manual estratégico que prioriza a proteção das margens por meio de uma gestão de custos rigorosa e disciplina operacional. As empresas devem buscar a expansão lucrativa de volume ancorada na inovação de proteínas, ao mesmo tempo em que estabilizam seus pipelines de talentos, especialmente em funções operacionais qualificadas para capturar a próxima onda de crescimento. Esse caminho envolve ainda a priorização de uma sustentabilidade pragmática, capaz de entregar impacto mensurável e valor ao negócio, além de investimentos deliberados em inteligência artificial com casos de uso claros e responsabilidade econômica. Em última análise, os líderes que combinarem essa execução disciplinada com aportes sustentados nas capacidades essenciais estarão melhor posicionados para enfrentar a volatilidade e prosperar no setor. Fonte: McKinsey & Company. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.