30/Apr/2026
A diferença entre os preços pagos pelo boi e pela vaca está se ampliando em abril. Historicamente, os valores do boi gordo operam acima dos da vaca gorda, refletindo diferenças de rendimento de carcaça, qualidade da carne e perfil de demanda. O boi gordo, em geral, apresenta maiores acabamento e aproveitamento, o que justifica um prêmio em relação à fêmea. A vaca tem maior participação no mercado em momentos de descarte de matrizes, quando a oferta se amplia e as cotações caem. Na parcial de abril, a diferença entre os valores médios de machos e vacas negociados no estado de São Paulo está em R$ 33,69 por arroba, com vantagem para o macho. Em abril de 2024 e 2025, as diferenças eram bem menores, de R$ 17,70 por arroba e de R$ 26,30 por arroba, respectivamente.
Como comparação, de janeiro de 2015 até a parcial de abril de 2026, a diferença média entre os preços do boi e da vaca, em termos nacionais, é de R$ 14,33 por arroba. Em 2023, a diferença média anual foi de R$ 19,42 por arroba; e, em 2024, de R$ 17,94 por arroba No entanto, em 2025, a diferença média anual caiu para R$ 17,90 por arroba, voltando a se ampliar em 2026. Esse resultado se deve à valorização dos machos acima da observada para as vacas, devido à oferta reduzida desses animais desde o início de 2026 e à aquecida demanda internacional pela carne bovina. Por outro lado, as fêmeas, que são destinadas principalmente ao mercado interno, apresentam uma maior oferta em relação aos machos, o que tem levado frigoríficos a ajustarem os preços pagos para completar as escalas de abate. De dezembro/25 para a parcial deste mês, enquanto o boi gordo no mercado de São Paulo apresenta valorização nominal de 12,65%, o preço da vaca registra alta menos intensa, de 7,5%.
Outro fator que vem chamando a atenção e influencia os preços são as escalas de abate, que se alongaram em abril. Dados mostram que, nos estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a média das escalas na parcial de abril está acima da observada em março. Em todos esses Estados, a média varia entre 7 e 8 dias. Em Rondônia, há leve aumento em abril, mas com a média passando de 5,75 dias para 5,87 dias, uma escala ainda bem apertada. Algumas regiões apresentam escalas superiores às de março e às de fevereiro. Na Bahia, a média subiu para 7,4 dias, contra 6,8 em março e 5,6 em fevereiro. Em Minas Gerais, está em 13,4 dias, ante 9,2 em março e 6,4 em fevereiro. No noroeste do Paraná, a média está em 12,9 dias, frente a 9,5 em março e 10,5 em fevereiro. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.