28/May/2026
O preço da matéria-prima do whey protein registrou forte alta impulsionada pela disseminação global das canetas emagrecedoras e pela expansão do consumo de proteína. Nos últimos 12 meses, a valorização acumulada chega a 105%, com a tonelada do concentrado de whey com 80% de teor proteico (WPC 80) alcançando € 22 mil (cerca de R$ 128 mil) na União Europeia nas duas primeiras semanas de maio. O avanço dos preços ocorre em meio a mudanças no comportamento de consumo. O uso de medicamentos à base de GLP-1, que reduzem o apetite, tem ampliado a demanda por suplementos proteicos, como o whey protein, utilizado para preservação de massa magra durante processos de emagrecimento.
Esse movimento se soma à tendência de aumento do consumo de proteína observada desde a pandemia. O concentrado de whey é derivado do soro do leite, subproduto da fabricação de queijo, que passa por filtragem para obtenção do insumo proteico. Historicamente, parte desse material era destinada à alimentação animal, mas passou a ser amplamente utilizado na indústria de nutrição esportiva e alimentos funcionais. A expansão do consumo também está relacionada à popularização do whey protein fora do nicho esportivo, com uso crescente em produtos industrializados, como chocolates e pães enriquecidos com proteína.
Do lado da oferta, a produção não acompanhou o ritmo de crescimento da demanda, contribuindo para a pressão sobre os preços. Projeções indicam que eventuais recuos mais consistentes dependeriam da entrada de novas unidades produtivas globais, com expectativa para o segundo ou terceiro trimestre de 2027. No Brasil, a oferta é limitada, com dependência relevante de importações dos Estados Unidos e da União Europeia. Parte dos agentes do mercado avalia que pode haver ajuste de preços nos próximos meses caso o consumo reaja ao nível elevado de cotações, embora sem retorno aos patamares anteriores. Nos Estados Unidos, um dos principais produtores globais, o consumo segue firme, com redução de estoques e manutenção da pressão sobre o mercado internacional.
No mercado brasileiro, empresas do setor têm repassado parte dos aumentos ao consumidor, com reajustes de preços e estratégias de adaptação. Entre as medidas adotadas estão a oferta de produtos com menor teor proteico, que atendem perfis de consumo menos exigentes, além da redução do tamanho das embalagens para adequação ao poder de compra. O movimento também inclui o lançamento de versões com menor concentração de proteína, com preços mais baixos e maior acessibilidade, ampliando o alcance do produto a novos perfis de consumidores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.