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15/Jun/2026

Carnes: setor quer ampliar veto a antimicrobianos

As indústrias exportadoras de carne bovina e de carne de frango solicitaram ao governo federal a ampliação das restrições ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira. O pedido foi formalizado em ofício conjunto encaminhado ao Ministério da Agricultura pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A iniciativa ocorre em meio às negociações entre Brasil e União Europeia relacionadas às exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos na produção animal e à entrada em vigor, em 3 de setembro de 2026, das restrições decorrentes da retirada do Brasil da lista de países reconhecidos pela União Europeia como aptos a atender integralmente os requisitos estabelecidos para esses produtos. Para a cadeia avícola, as entidades defendem a ampliação das restrições já aplicadas à fosfomicina, incluindo também as moléculas enramicina, avilamicina e flavomicina na produção destinada à exportação de carne de aves.

No segmento de carne bovina, o pleito contempla a extensão das restrições aplicadas aos antimicrobianos utilizados como melhoradores de desempenho para as moléculas monensina sódica, salinomicina, lasalocida e narasina. Atualmente, as proibições na pecuária bovina abrangem avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno disalicilato e virginiamicina. As entidades argumentam que a adoção voluntária de medidas adicionais poderá fortalecer a posição regulatória brasileira perante as autoridades europeias, reforçando os esforços do governo federal para demonstrar conformidade com os princípios internacionais de uso prudente de antimicrobianos e de Saúde Única (One Health). Segundo as associações, a ampliação das restrições contribuiria para aproximar a regulamentação brasileira dos padrões internacionais atualmente adotados por importantes mercados consumidores, fortalecendo a credibilidade sanitária do País e preservando a competitividade das exportações brasileiras de proteína animal.

A discussão ganhou relevância após a Comissão Europeia formalizar a retirada do Brasil da lista de países reconhecidos pelo bloco como aptos a fornecer produtos de origem animal e vegetal em conformidade com as exigências relativas ao uso de antimicrobianos. A decisão afeta produtos como carne bovina, carne de frango, pescado, ovos e mel. De acordo com as autoridades europeias, a medida foi motivada pela avaliação de que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre os mecanismos oficiais de fiscalização e controle exigidos pela regulamentação comunitária. O governo brasileiro e o setor exportador trabalham para reverter a decisão e restabelecer o reconhecimento sanitário junto à União Europeia. O tema é considerado estratégico para o agronegócio brasileiro, uma vez que a adequação às exigências sanitárias internacionais tem impacto direto sobre o acesso a mercados e sobre a competitividade das exportações de proteína animal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.