22/Jun/2026
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou um projeto emergencial com duração de cinco anos para conter o avanço da mosca-da-bicheira (New World Screwworm - NWS) na América Central, no México e nos Estados Unidos. A iniciativa contará com orçamento de US$ 1 milhão e reunirá especialistas de mais de 20 países afetados, incluindo nações da América do Sul, onde o parasita é considerado endêmico. A preocupação internacional aumentou após a confirmação da praga em território norte-americano no início de junho, marcando a primeira ocorrência da mosca-da-bicheira nos Estados Unidos em mais de quatro décadas. As larvas do inseto alimentam-se de tecidos vivos de animais de sangue quente por meio de feridas abertas ou membranas mucosas, provocando infecções que podem levar à morte quando não tratadas.
Dados do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indicam sete casos confirmados em animais no país, sendo seis deles registrados no Estado do Texas. Segundo a FAO e a AIEA, a reintrodução do parasita está associada a fatores como mudanças climáticas, globalização e movimentação ilegal de rebanhos. O avanço da praga ocorreu após o rompimento, em 2022, da barreira de contenção biológica mantida desde 2006 na região do Estreito de Darién, no sul do Panamá. O controle do surto depende da utilização da técnica de liberação de insetos estéreis, considerada uma das principais ferramentas para reduzir a população do parasita. Entretanto, a capacidade de produção mundial é insuficiente para atender à demanda atual.
Especialistas estimam a necessidade de liberação de até 600 milhões de moscas estéreis por semana, enquanto a única biofábrica em operação atualmente, administrada pela Comissão Panamá-Estados Unidos para Erradicação e Prevenção da Mosca-da-Bicheira (COPEG), produz cerca de 100 milhões de insetos semanalmente. A estratégia de expansão prevê o aumento da capacidade produtiva nas instalações de Metapa de Domínguez, no México, e de Mission, no Texas. Juntas, as unidades poderão acrescentar até 400 milhões de moscas estéreis por semana nos próximos anos, reforçando os esforços para conter a disseminação da praga no continente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.