23/Jun/2026
Segundo o Bradesco, as exportações deverão ser o principal fator de sustentação dos preços de bovinos, suínos e frangos no segundo semestre de 2026. O desempenho dos embarques será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico, influenciando diretamente a formação dos preços das principais proteínas animais. No segmento bovino, a atenção do mercado está voltada para o esgotamento da cota chinesa destinada à carne bovina brasileira, situação que poderá ser alcançada nos primeiros dias de julho. Com a proximidade desse limite, frigoríficos tendem a reduzir o ritmo das compras de animais para abate, o que pode aumentar a pressão sobre os preços do boi gordo no mercado físico. Diante desse cenário, a indústria deverá buscar alternativas para absorver os volumes que deixarem de ser destinados ao mercado chinês. Entre as possibilidades estão a ampliação das exportações para outros destinos, especialmente os Estados Unidos, o redirecionamento de parte da produção ao mercado interno e eventuais ajustes nos volumes de abate.
Apesar desse contexto, os preços do boi gordo devem se manter próximos de R$ 330,00 por arroba até o fim de outubro. A expectativa é que, posteriormente, as exportações para a China voltem a ganhar intensidade com foco na utilização da cota disponível para 2027. Para a carne suína, a perspectiva é mais favorável. Restrições sanitárias enfrentadas por concorrentes internacionais em razão da peste suína africana (PSA) têm ampliado as oportunidades para o Brasil em mercados estratégicos, como Filipinas, Japão e México. Esse ambiente tende a favorecer o aumento das exportações e contribuir para a recuperação dos preços domésticos. O crescimento da oferta observado no primeiro trimestre pressionou as cotações dos suínos vivos e deteriorou as relações de troca dos produtores. No entanto, já foram observados sinais de redução do plantel nos meses de abril e maio. A combinação entre menor oferta interna e maior volume exportado poderá favorecer a recuperação das cotações ao longo dos próximos meses.
No mercado de frango, os preços internos apresentam maior estabilidade no curto prazo. Contudo, a continuidade da expansão da produção limita movimentos mais expressivos de valorização. Nesse contexto, o desempenho das exportações permanece fundamental para sustentar o mercado. A recuperação da demanda dos países do Golfo Pérsico será um dos principais fatores para o avanço das exportações de carne de frango. A normalização do fluxo comercial na região poderá reduzir a disponibilidade do produto no mercado doméstico e contribuir para a sustentação dos preços internos. O cenário para o segundo semestre indica que a competitividade das proteínas brasileiras no mercado internacional continuará sendo um fator decisivo para a rentabilidade das cadeias de bovinos, suínos e frangos, especialmente diante da crescente importância das exportações na absorção da produção nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.