23/Jun/2026
Os preços do boi gordo estão pressionados pelo enfraquecimento do consumo doméstico, comportamento característico da segunda metade do mês. O menor ritmo de compras no mercado interno leva a recuos nas cotações, refletindo uma postura mais cautelosa das indústrias frigoríficas, que operam com escalas de abate relativamente confortáveis. Apesar do viés baixista observado na demanda, a redução da oferta de bovinos terminados, resultado da estratégia de pecuaristas, limita a pressão sobre os preços. Esse movimento pode ganhar intensidade nos próximos dias, contribuindo para restringir quedas mais expressivas. O mercado também acompanha a evolução do consumo durante o período da Copa do Mundo, tradicionalmente associado a um aumento da demanda por carne bovina em razão da realização de confraternizações e churrascos.
Parte dos vendedores tem demonstrado maior disposição para negociar abaixo das referências vigentes, motivada pelo receio de desvalorizações mais acentuadas no curto e médio prazo. Em São Paulo, principal referência nacional, as cotações permanecem estáveis em R$ 348,00 por arroba a prazo para o boi gordo; R$ 322,00 por arroba a prazo para a vaca gorda; R$ 335,00 por arroba a prazo para a novilha. O “boi China” permanece em R$ 353,00 por arroba. Em Rondônia, o boi gordo está cotado a R$ 333,57 por arroba e em Goiás, a R$ 324,44 por arroba. No mercado externo, a proximidade do encerramento da cota de exportação de carne bovina brasileira para a China sem incidência de sobretaxas permanece no radar dos agentes. Após o esgotamento do volume permitido, a carne bovina brasileira passa a enfrentar uma sobretaxa adicional de 55%, além da tarifa atualmente aplicada de 12%, fator que compromete a competitividade das exportações.