24/Jun/2026
O aumento da produção de carne suína no Brasil no início de 2026 tem ampliado a disponibilidade do produto no mercado interno e pressionado as cotações ao longo dos últimos meses. Dados do IBGE indicam crescimento consistente do abate e da produção no primeiro trimestre, em ritmo superior ao avanço das exportações. No período, a produção de carne suína aumentou 6,93% em relação ao mesmo intervalo de 2025, com acréscimo de 92,4 mil toneladas de carcaças. O número de animais abatidos também cresceu 5,49%, equivalente a quase 795 mil cabeças adicionais. O movimento foi acompanhado por elevação do peso médio das carcaças, sinalizando retenção de animais nas granjas antes do envio ao abate.
Apesar do crescimento das exportações de carne suína in natura, que avançaram 15,15% no primeiro trimestre, o volume adicional embarcado não foi suficiente para absorver a expansão da oferta doméstica. Como resultado, a disponibilidade interna aumentou cerca de 48,2 mil toneladas no período, alta de 4,63% em relação ao ano anterior. A dinâmica de mercado se intensificou em março, quando a oferta interna atingiu o maior nível de pressão, com incremento de 22,8 mil toneladas. Esse aumento de disponibilidade tem sido um dos principais fatores por trás da trajetória de queda dos preços do suíno vivo e da carcaça desde o início do ano. No segundo trimestre, a desaceleração do crescimento das exportações agravou o desequilíbrio. Até meados de junho, os embarques acumulavam alta de apenas 5,8% na comparação anual, ritmo insuficiente para compensar o avanço da produção. O cenário reforça a necessidade de maior expansão da demanda externa e interna para reequilibrar o mercado. Do lado dos custos, a entrada da 2ª safra de milho de 2026 contribuiu para aliviar parcialmente as despesas com alimentação animal, principal componente do custo de produção.
No entanto, a queda dos insumos não foi suficiente para compensar a redução das receitas, mantendo a relação de troca desfavorável para os produtores. O resultado tem sido a continuidade de margens negativas, especialmente entre suinocultores independentes da Região Sul, principal polo produtor do país. Mesmo com sinais recentes de estabilização em algumas praças, o setor ainda não observa recuperação consistente da rentabilidade. A avaliação geral do mercado é de que o equilíbrio dependerá de uma combinação entre maior ritmo de exportações e reação da demanda interna, capaz de absorver o crescimento da produção observado no início do ano. Fonte: ABCS. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.