24/Jun/2026
O Rabobank avalia que o mercado brasileiro de boi gordo deve enfrentar um segundo semestre mais desafiador, em função da expectativa de redução dos embarques de carne bovina para a China, principal destino da proteína brasileira. A projeção indica que a desaceleração das exportações já começa a influenciar a formação de preços e tende a reduzir a demanda por animais terminados nos próximos meses. Apesar de as exportações brasileiras de carne bovina seguirem em ritmo recorde em 2026, impulsionadas pela demanda chinesa e norte-americana, o banco destaca que a elevada concentração dos embarques aumenta a vulnerabilidade do setor. A China responde por cerca de 45% das exportações brasileiras, enquanto os Estados Unidos representam aproximadamente 13%. A expectativa de preenchimento da cota chinesa ainda em junho deve provocar forte desaceleração dos embarques a partir do terceiro trimestre.
No cenário de comércio exterior, eventuais avanços nas negociações para ampliação do acesso ao mercado chinês não devem ter efeito imediato, devido ao caráter estratégico das cotas de importação para proteção da produção local da China. Assim, qualquer flexibilização é considerada de impacto apenas de médio prazo. Por outro lado, os Estados Unidos seguem como fator de sustentação das exportações brasileiras, com ausência da tarifa adicional de 50% aplicada em julho de 2025 preservando a competitividade da carne nacional. Além disso, restrições sanitárias e a suspensão das importações de gado em pé do México contribuem para um ambiente de oferta mais ajustada no mercado norte-americano, favorecendo a demanda por carne brasileira voltada à indústria de hambúrgueres.
No mercado interno, a perspectiva de menor demanda externa deve alterar a dinâmica dos confinamentos, com redução da atratividade do primeiro giro e possível postergação de decisões de engorda para o segundo giro, na expectativa de recuperação das compras chinesas ao longo do ciclo. Outro fator de pressão apontado é o embargo da União Europeia previsto para entrar em vigor a partir de setembro, associado a exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos, o que tende a reduzir alternativas de escoamento e reforçar o impacto sobre os preços do boi gordo no próximo trimestre. O cenário desenhado indica tendência de inversão da curva de preços do boi gordo, com cotações mais baixas no segundo semestre em relação ao primeiro semestre de 2026. Ainda assim, há expectativa de eventual retomada dos volumes exportados entre outubro e novembro, considerando o tempo de trânsito das cargas e a renovação de cotas da China a partir de janeiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.