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10/Jul/2026

Boi: eficiência sustenta o lucro no confinamento

A rentabilidade do confinamento bovino permaneceu acima de R$ 1 mil por cabeça nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, mesmo com a queda dos preços do boi gordo em junho. O desempenho foi sustentado pela redução dos custos de produção, principalmente da alimentação, e pelo aumento da eficiência operacional nas propriedades, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap), divulgado pela Ponta Agro. Na Região Centro-Oeste, o lucro estimado alcançou R$ 1.053,25 por cabeça, alta de 1,56% em relação ao mês anterior. Na Região Sudeste, a margem ficou em R$ 1.007,41 por cabeça, recuo de 10,36% no mesmo período. O preço do boi gordo caiu 5,69% no Centro-Oeste e 3,35% no Sudeste em junho.

Apesar da retração dos preços, o Centro-Oeste manteve a liderança em rentabilidade devido à redução de 9,93% no custo da arroba produzida e ao menor período de permanência dos bovinos no confinamento. No segmento do boi destinado ao mercado chinês, a margem estimada chegou a R$ 1.118,53 por cabeça no Centro-Oeste e R$ 1.072,18 por cabeça no Sudeste. O desempenho indica uma mudança no perfil de formação da margem da atividade, com a lucratividade passando a depender menos da valorização da arroba e mais dos ganhos de eficiência produtiva e do controle dos custos alimentares. A redução estrutural dos custos de nutrição observada nos últimos dois anos ampliou a capacidade de geração de margem dos confinadores.

Em junho de 2024, uma arroba de boi gordo permitia financiar 14,47 dias de alimentação no Centro-Oeste e 18,89 dias no Sudeste. Atualmente, o mesmo indicador alcança 25,06 dias no Centro-Oeste e 28,12 dias no Sudeste. Com essa evolução, o custo da nutrição, que chegou a representar 89,1% da receita obtida com uma arroba, passou a consumir pouco mais da metade desse valor nas duas regiões. O Icap apresentou comportamentos distintos nos custos alimentares das principais regiões de confinamento do País. No Centro-Oeste, o indicador ficou em R$ 12,91 por cabeça ao dia, alta de 0,62% em relação a maio. No Sudeste, recuou para R$ 11,79 por cabeça ao dia, queda de 2,23%, atingindo o menor nível de 2026.

Mesmo com o menor custo alimentar pelo quarto mês consecutivo, o Sudeste perdeu competitividade devido ao maior custo da arroba produzida e às características dos animais abatidos na região. No Centro-Oeste, o custo total da dieta de terminação encerrou junho 4,16% abaixo da média do trimestre. A principal contribuição veio da redução dos custos dos volumosos, com queda de 37,13%, seguida pelos alimentos energéticos, com recuo de 8,25%. O movimento foi favorecido pelo avanço da colheita da 2ª safra e pela maior disponibilidade de ingredientes para alimentação animal.

Entre os principais componentes, a casca de algodão apresentou redução de 51,7%, enquanto o milho em grão seco ficou 8% abaixo da média trimestral. No Sudeste, a dieta de terminação terminou junho 1,08% abaixo da média do trimestre, impulsionada pela redução de 2,83% nos insumos proteicos. Em sentido contrário, os volumosos registraram alta de 15,8%, pressionados pelo aumento dos custos das silagens. O milho permaneceu com preços elevados na região, devido ao impacto ainda limitado da colheita da 2ª safra sobre a oferta local. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.