14/Jul/2026
As exportações brasileiras de couro registraram volume recorde no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pelo desempenho de junho, quando os embarques alcançaram 324,0 mil toneladas, o maior volume da série histórica para o período. Apesar do avanço dos embarques, o faturamento diminuiu em função da mudança na composição dos produtos exportados. A receita obtida com as exportações somou US$ 539,4 milhões no primeiro semestre, retração de 4,7% em relação ao mesmo período de 2025 e de 16,4% frente ao primeiro semestre de 2024. A redução do faturamento ocorreu em razão da maior participação de produtos de menor valor agregado e da diminuição da representatividade do couro acabado, segmento de maior valor unitário.
O couro exportado é classificado conforme o nível de processamento. O couro salgado corresponde à pele bovina preservada com sal, sem processamento químico. O wet blue é obtido após o curtimento com sulfato de cromo trivalente e representa o principal produto comercializado internacionalmente devido à maior estabilidade e facilidade de transporte. O crust corresponde ao couro semiacabado, submetido às etapas de recurtimento, secagem e tingimento, mas sem acabamento final. O couro acabado é destinado diretamente à indústria de transformação, enquanto as aparas abrangem retalhos, recortes e couros reconstituídos gerados durante o processamento. O wet blue permaneceu como principal produto exportado, respondendo por 66,8% do volume embarcado no acumulado até junho.
A participação foi 4,0% inferior à observada em igual período de 2025, embora o volume exportado tenha aumentado em 340,5 toneladas. O produto respondeu por 37,5% da receita das exportações e apresentou preço médio de US$ 0,93 por quilo em junho. O couro salgado ampliou sua participação em 4,1%, alcançando 23,6% do volume exportado. O segmento respondeu por 7,1% do faturamento, com preço médio de US$ 0,50 por quilo. O couro acabado reduziu sua participação para 6,4% do volume embarcado, queda de 1,4% em relação a 2025. Os embarques recuaram de 23,6 mil para 20,6 mil toneladas. A receita atingiu US$ 236,8 milhões, redução de US$ 42,3 milhões na comparação anual.
Mesmo com menor participação em volume, o produto respondeu por 43,9% do faturamento total das exportações, sustentado pelo elevado valor agregado, com preço médio de US$ 11,48 por quilo. O crust representou 2,1% do volume exportado, alta de 0,3% em relação ao primeiro semestre de 2025. A categoria respondeu por 11,3% da receita das exportações, com preço médio de US$ 9,11 por quilo. As aparas alcançaram participação de 1,1% do volume embarcado, avanço de 1,0% na comparação anual. O segmento respondeu por 0,2% do faturamento, com preço médio de US$ 0,30 por quilo. A alteração no perfil das exportações, com menor participação do couro acabado e maior presença de produtos de menor valor agregado, resultou em crescimento recorde do volume embarcado, mas em redução da receita obtida com as vendas externas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.