17/Jul/2026
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a redução da produção de carne bovina pela indústria frigorífica brasileira, em resposta à menor demanda internacional, deve provocar aumento dos preços internos no médio e longo prazo. Em um primeiro momento, a pressão sobre as exportações e a menor participação da China nas compras podem limitar as cotações, mas a redução da oferta tende a alterar esse cenário. Os preços no mercado interno devem apresentar estabilidade inicialmente, enquanto as empresas ajustam os volumes produzidos. Com a confirmação da menor oferta de carne, a expectativa é de recuperação dos preços, especialmente em um ambiente de demanda doméstica aquecida e possível manutenção do crescimento econômico.
A composição dos preços da carne bovina no Brasil permanece fortemente influenciada pelo comportamento do mercado externo. O primeiro semestre foi marcado por preços elevados nas exportações brasileiras, impulsionados pela forte demanda internacional, especialmente dos países asiáticos. Para o segundo semestre, a expectativa é de redução dos valores externos diante da menor disputa pela proteína brasileira. Com a queda dos preços recebidos pelas exportações, os frigoríficos tendem a reduzir os valores pagos pela matéria-prima aos pecuaristas. A menor remuneração da indústria ocorre em um cenário de retração das compras chinesas, após a imposição de medidas que elevaram os custos de acesso ao mercado asiático para a carne bovina brasileira.
A redução da demanda chinesa gera efeitos em toda a cadeia produtiva, alcançando a pecuária, a indústria frigorífica, a indústria farmacêutica veterinária e a fabricação de rações. O setor vinha registrando expansão das vendas para a Ásia, principalmente para a China, e passou a enfrentar maior pressão financeira após a mudança nas condições comerciais. Além da menor demanda chinesa, a indústria enfrenta restrições temporárias relacionadas ao mercado da União Europeia, ampliando a necessidade de ajustes operacionais pelas empresas. O período atual exige adequação da cadeia produtiva até que haja uma nova configuração entre oferta, demanda externa e capacidade de produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.