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21/Jul/2026

Frango: exportação chinesa e riscos para o Brasil

Segundo o BTG Pactual, a rápida expansão das exportações de carne de frango da China pode representar um risco estrutural para os exportadores brasileiros. O país asiático deixou de atuar apenas como grande comprador mundial de proteínas e passou a ganhar relevância como fornecedor no mercado internacional, aumentando a concorrência e podendo pressionar os preços globais. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que as exportações chinesas de carne de frango cresceram 41% em 2025, para aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, e devem alcançar 1,4 milhão de toneladas em 2026.

Com esse avanço, a China tende a se consolidar como o terceiro maior exportador mundial do produto, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos. Em menos de uma década, a participação chinesa nas exportações globais de frango passou de cerca de 3% para uma projeção de 9,5% em 2026. O crescimento das vendas externas chinesas é sustentado pela expansão da produção doméstica. A China já ocupa a segunda posição entre os maiores produtores mundiais de carne de frango e, conforme estimativas do USDA, deve elevar a produção em 7% em 2025 e em mais 5% em 2026, atingindo 17,3 milhões de toneladas. Algumas projeções da indústria indicam possibilidade de crescimento ainda mais acelerado.

Apesar da falta de informações detalhadas sobre os custos de produção dos frigoríficos chineses, o histórico de expansão industrial do país indica potencial para que a China se torne um dos produtores de frango de menor custo global, ampliando sua competitividade no comércio internacional. O movimento ganha relevância pelo perfil das exportações chinesas. Enquanto o país mantém compras elevadas de cortes como pés de frango e outros produtos de maior preferência do consumidor doméstico, amplia os embarques de itens com menor demanda interna, como o peito de frango. Esse segmento representa uma parcela relevante das exportações brasileiras, correspondendo a 22% do volume embarcado nos últimos 12 meses e estando entre os produtos de maior valor agregado.

A possível ampliação da presença chinesa em mercados tradicionais do Brasil aumenta a preocupação para a indústria avícola nacional. Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, importantes destinos do peito de frango brasileiro, estão mais próximos geograficamente da China, o que pode favorecer a competitividade logística do país asiático. O avanço da produção e das exportações chinesas tende a elevar a disputa por mercados consumidores e pode influenciar a formação internacional de preços da carne de frango, criando um novo fator de pressão para os exportadores brasileiros. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.