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21/Jul/2026

Boi: exportação de carne recorde no 1º semestre

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), as exportações brasileiras de carnes e subprodutos do abate de bovinos somaram US$ 9,929 bilhões entre janeiro e junho de 2026, crescimento de 33,4% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, os embarques alcançaram 1,811 milhão de toneladas, alta de 7,3%. O desempenho representa recorde histórico para um primeiro semestre, tanto em receita quanto em volume exportado. Apesar do resultado recorde, o cenário deve ser menos favorável na segunda metade de 2026. Entre os principais fatores estão o esgotamento da cota brasileira para exportações de carne bovina à China, que implica sobretaxa de 55% sobre os volumes embarcados acima do limite estabelecido, e a possibilidade de interrupção das compras pela União Europeia a partir de setembro, em razão das exigências do bloco relativas à comprovação de produção livre do uso de antimicrobianos no rebanho bovino.

A cota chinesa de importação de carne bovina brasileira, fixada em 1,106 milhão de toneladas para 2026, tenha sido integralmente utilizada com os embarques realizados até junho. Como as autoridades chinesas consideram, para efeito da quota, as cargas que chegaram aos portos do país a partir de 1º de janeiro de 2026, incluindo embarques realizados nos meses finais de 2025, o volume disponível para o restante do ano deverá estar praticamente esgotado. Com isso, a expectativa é de redução significativa dos embarques destinados à China a partir de julho, comprometendo o desempenho das exportações brasileiras até a reabertura da cota em 2027. No primeiro semestre, as exportações brasileiras de carne bovina para a China totalizaram US$ 4,818 bilhões, aumento de 50,3% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, os embarques cresceram 22,6%, para 774,7 mil toneladas. O mercado chinês respondeu por 48,5% da receita obtida com as exportações de carnes e subprodutos bovinos e por 53% das vendas de carne bovina in natura.

Diante do esgotamento da cota, as exportações brasileiras para a China poderão recuar cerca de US$ 4 bilhões em 2026 em comparação com 2025, quando alcançaram US$ 8,845 bilhões. Entretanto, parte dessa redução poderá ser compensada caso embarques realizados nos dois últimos meses do ano cheguem aos portos chineses apenas em janeiro de 2027, sendo contabilizados na quota do próximo ano. A diversificação dos mercados é apontada como um dos principais fatores capazes de reduzir os impactos da menor demanda chinesa. Os Estados Unidos, segundo maior comprador da carne bovina brasileira, ampliaram suas aquisições em 14,76% no primeiro semestre, para US$ 1,465 bilhão. Considerando apenas a carne bovina in natura, as compras norte-americanas somaram US$ 1,116 bilhão, avanço de 41%, com embarques de 183,6 mil toneladas, crescimento de 17,3%. As perspectivas para esse mercado permanecem favoráveis, uma vez que a carne bovina foi excluída das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

Além disso, o mercado norte-americano continua enfrentando restrições de oferta doméstica, com baixa produção e preços elevados, favorecendo o aumento das importações ao longo do ano. O Chile, terceiro maior destino da carne bovina in natura brasileira, elevou as compras em 33,12%, para US$ 419,6 milhões, enquanto o volume embarcado cresceu 20%, para 70,3 mil toneladas. A União Europeia ampliou as importações de carnes e subprodutos bovinos brasileiros em 35,26%, alcançando US$ 482,65 milhões no primeiro semestre. No entanto, o bloco europeu poderá suspender as compras de carne bovina do Brasil a partir de setembro, quando entram em vigor as novas regras que exigem certificação de produção livre do uso de antimicrobianos. O governo brasileiro mantém negociações com as autoridades sanitárias europeias para estabelecer um modelo de certificação que preserve o acesso ao mercado, mas ainda não há definição sobre o tema.

Outros mercados também apresentaram expansão das importações no primeiro semestre. A Rússia aumentou as compras para 62 mil toneladas, alta de 34,5%, com receita de US$ 283,8 milhões, crescimento de 48,6%. Hong Kong elevou as aquisições em 33,8%, para US$ 227,15 milhões. A Arábia Saudita ampliou as compras em 31,7%, para US$ 192 milhões, enquanto o Egito registrou aumento de 32,2%, para US$ 179,8 milhões. Em sentido contrário, o México reduziu as importações em 8,13%, para US$ 253,8 milhões. A ampliação da presença em diferentes mercados torna-se estratégica diante das incertezas relacionadas à China e à União Europeia. No primeiro semestre, 118 países aumentaram as compras de carne bovina brasileira, enquanto 55 reduziram suas aquisições. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.