22/Jul/2026
O mercado físico do boi gordo permanece sustentado pela restrição na oferta de bovinos terminados para abate, fator que elevou as cotações mesmo em um ambiente de baixa liquidez e consumo doméstico enfraquecido na segunda metade do mês. A menor disponibilidade de bovinos prontos para abate continua dificultando o alongamento das escalas pelos frigoríficos, embora a desaceleração das exportações e a postura mais cautelosa da indústria limitem movimentos mais intensos de valorização. Em São Paulo, referência nacional para a pecuária de corte, a cotação do boi gordo avançou R$ 2,00 por arroba, para R$ 332,00 por arroba a prazo e o “boi China” está cotado a R$ 335,00 por arroba, também com alta de R$ 2,00 por arroba. As cotações da vaca goda permanecem em R$ 310,00 por arroba a prazo e da novilha, em R$ 322,00 por arroba a prazo. As escalas de abate atendem, em média, a seis dias. A valorização do boi gordo decorre da oferta reduzida de bovinos terminados, que limita o poder de compra dos frigoríficos mesmo diante da menor demanda interna.
O mercado continua pouco fluido, com compradores buscando conter novos reajustes e parte dos frigoríficos exportadores anunciando férias coletivas em algumas unidades, reduzindo temporariamente a necessidade de aquisição de bovinos. O desempenho das exportações reforça o ambiente de cautela. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam queda na média diária embarcada de carne bovina nos 13 primeiros dias úteis de julho. No mercado também cresce a avaliação de que a cota chinesa de importação para 2026 esteja próxima do limite, considerando inclusive as cargas em trânsito marítimo. Caso o volume autorizado seja ultrapassado, os embarques excedentes estarão sujeitos à tarifa adicional de 55%, reduzindo a competitividade da carne bovina brasileira no principal mercado de destino até a renovação da cota em 2027.
Esse cenário contribui para uma postura mais seletiva dos frigoríficos exportadores, reduzindo o ímpeto de compra mesmo diante da escassez de bovinos. Em Minas Gerais, as cotações permanecem estáveis, refletindo equilíbrio entre oferta restrita e ritmo lento de negociações. No Rio de Janeiro, o boi gordo tem avanço de R$ 3,00 por arroba, para R$ 328,00 por arroba. Em Goiás, o boi gordo está cotado a R$ 322,40 por arroba; em Mato Grosso, a R$ 319,72 por arroba; e no Pará, a R$ 320,44 por arroba. Para os próximos dias, a tendência permanece de mercado sustentado pela oferta restrita de bovinos terminados, porém com negociações seletivas. A combinação entre consumo doméstico mais fraco e menor ritmo das exportações deve manter os frigoríficos cautelosos nas compras, enquanto os pecuaristas seguem resistentes à comercialização nos níveis atuais de preços. Esse equilíbrio tende a manter os preços firmes, embora com espaço limitado para movimentos mais intensos de valorização. Em São Paulo, no atacado, a carcaça casada do boi está cotada a R$ 23,41 por Kg e a carcaça casada da vaca, a R$ 21,84 por Kg.