29/Jul/2026
O mercado brasileiro de queijos finos atravessa um processo de consolidação impulsionado pelo crescimento do consumo, pela evolução do perfil do consumidor e pelo aumento do interesse de grandes grupos do setor lácteo na aquisição de queijarias artesanais e especializadas. Apesar do avanço das operações, o segmento ainda apresenta amplo potencial de expansão e novas transações são esperadas nos próximos meses. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq), o consumo anual per capita de queijo no Brasil alcança 7,3 quilos por habitante, acima dos 5,66 quilos registrados em 2017, mas ainda distante de mercados mais maduros, como a Argentina, onde o consumo gira em torno de 21 quilos por habitante ao ano. A trajetória de crescimento tornou-se mais consistente a partir da pandemia, refletindo a maior busca dos consumidores por produtos de maior valor agregado e novas experiências gastronômicas.
A regulamentação promovida pela Lei nº 13.860/2019 também contribuiu para o desenvolvimento do segmento ao estabelecer regras para a produção de queijos artesanais elaborados com leite cru sob inspeção, reconhecer critérios de origem e método de produção e disciplinar o uso de denominações tradicionais. O novo marco regulatório fortaleceu a valorização do terroir, ampliou a segurança jurídica para os produtores e estimulou investimentos em produtos diferenciados. Nesse ambiente, grandes grupos ampliaram sua presença no segmento de maior valor agregado. O UltraCheese consolidou um portfólio que inclui as marcas Itacolomy, Búfalo Dourado, Lac Lélo e Cruzília, sendo esta última reconhecida pela atuação no segmento de queijos finos. O Grupo Ipanema Lácteos adquiriu o Laticínio na Morada, proprietário da marca Serra das Antas, reforçando sua estratégia de diversificação além dos produtos comoditizados.
A Piracanjuba também ingressou no segmento por meio da aquisição da Básel Lácteos, em Minas Gerais, anunciando a criação de uma unidade dedicada aos queijos finos, além da compra do Laticínio Sertão para fortalecer sua atuação em produtos tradicionais na Região Nordeste. Outra operação relevante foi a aquisição da Quatá Alimentos pelo grupo francês Savencia Fromage & Dairy, ampliando seu portfólio de marcas no mercado brasileiro. O grupo Tirolez, por sua vez, incorporou a Levitare, especializada em produtos à base de leite de búfala destinados principalmente ao segmento de food service. A busca por queijarias artesanais está associada ao maior potencial de rentabilidade em comparação aos queijos de maior volume e menor diferenciação, como muçarela, prato e parmesão, cujas margens tendem a ser mais pressionadas pela concorrência.
No comércio exterior, as exportações de queijos brasileiros ainda representam entre 1% e 2% da produção nacional, concentradas em nichos de maior valor agregado. Empresas especializadas começam a ampliar sua presença em mercados internacionais por meio de produtos artesanais de longa maturação e identidade regional, indicando potencial de expansão das vendas externas, apesar das incertezas relacionadas ao ambiente comercial internacional. O avanço do consumo doméstico, o fortalecimento da regulamentação, a valorização das indicações de origem e o interesse crescente de grandes empresas sinalizam uma nova etapa de desenvolvimento para o segmento brasileiro de queijos finos, com perspectivas de continuidade do processo de consolidação e ampliação da oferta de produtos de maior valor agregado. Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.