29/Jul/2026
A Fitch Ratings avalia que o setor brasileiro de proteína animal deve enfrentar um ambiente mais desafiador no curto prazo, diante de restrições comerciais, custos operacionais elevados e incertezas climáticas, apesar da demanda global ainda favorável e dos preços dos principais grãos em patamares controlados. A combinação entre limitações às exportações para a China, possibilidade de restrições de embarques para a União Europeia, valorização do gado, aumento dos custos logísticos e riscos climáticos pode reduzir volumes exportados e pressionar as margens dos frigoríficos. O encerramento da cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina e eventuais limitações impostas pelo mercado europeu em razão de questões sanitárias devem exigir redirecionamento de embarques e ajustes no ritmo de abates das unidades brasileiras. Empresas com maior dependência do mercado doméstico e menor diversificação de destinos tendem a apresentar maior exposição aos impactos desse cenário.
No entanto, os efeitos sobre grandes companhias analisadas, como JBS, MBRF e Minerva, devem ser limitados pela escala operacional, diversificação geográfica e capacidade de adaptação comercial. JBS e MBRF possuem diversificação entre diferentes segmentos de proteínas, enquanto parte relevante do atendimento ao mercado chinês ocorre por meio de plantas localizadas fora do Brasil, que não estão sujeitas à limitação da cota de importação. Embora a China tenha representado 53% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, o mercado chinês corresponde a aproximadamente 14% das receitas consolidadas da Minerva, cerca de 6% da JBS e menos de 5% da MBRF. Além dos riscos comerciais, há pressão adicional devido ao aumento dos custos de frete provocado por interrupções em rotas comerciais do Oriente Médio, aos impactos do El Niño sobre pastagens e custos de produção e à valorização do gado decorrente da fase atual do ciclo pecuário brasileiro.
O mercado norte-americano de carne bovina também permanece como ponto de atenção. A oferta restrita de bovinos nos Estados Unidos e a lenta recomposição do rebanho continuam elevando os custos da matéria-prima e reduzindo a rentabilidade das operações locais de JBS e MBRF, limitando o processo de redução do endividamento dessas companhias. Apesar das dificuldades no curto prazo, os fundamentos estruturais do setor permanecem positivos, sustentados pela demanda global por proteínas e por níveis ainda favoráveis de preços domésticos e internacionais. O desempenho das empresas dependerá da capacidade de controlar custos, reorganizar fluxos comerciais, ampliar a diversificação de mercados e manter disciplina financeira. Porém, o mercado global de proteínas continuará exposto a barreiras comerciais, tarifas, riscos sanitários, surtos de doenças, volatilidade cambial e oscilações nos custos dos principais insumos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.