14/Aug/2026
A Minerva Foods registrou lucro líquido de R$ 196,9 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 57% em relação aos R$ 458,3 milhões apurados em igual período do ano passado, informou a empresa nesta quarta-feira. Na comparação com o primeiro trimestre, porém, o lucro cresceu 125,6%. No primeiro semestre, o lucro acumulado chegou a R$ 284,2 milhões. O Ebitda somou R$ 1,231 bilhão no trimestre, queda de 5,5% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda ficou em 8,7%, ante 9,4% um ano antes. Em relação ao primeiro trimestre, porém, houve recuperação de 10% no Ebitda e de 0,4 ponto porcentual na margem. Segundo a companhia, a principal pressão sobre a rentabilidade veio da valorização do gado. Considerando todos os países onde a companhia atua, o preço do animal está cerca de 27% acima do registrado há um ano, em média. A alta do gado pressionou a margem bruta, que recuou de 17,6% para 16,6% no período de um ano. A receita líquida atingiu R$ 14,1 bilhões, alta de 1,3% ante o segundo trimestre de 2025 e de 5,2% sobre o primeiro trimestre. A receita bruta foi de R$ 15,1 bilhões.
Nos últimos 12 meses, a receita líquida alcançou R$ 57,2 bilhões, recorde e 29,1% superior à registrada no mesmo período anterior. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 756,8 milhões, alta de 26,7% ante o segundo trimestre de 2025. Segundo a companhia, a piora foi explicada principalmente pela variação cambial, que teve efeito positivo de R$ 128,6 milhões no segundo trimestre do ano passado e negativo de R$ 35,2 milhões neste ano. A alavancagem líquida encerrou junho em 2,9 vezes, ante 2,7 vezes no fim do primeiro trimestre. A dívida líquida passou de R$ 13,69 bilhões para R$ 14,36 bilhões no período, avanço de 4,9% em três meses. O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 611,4 milhões no trimestre. Nos últimos 12 meses, porém, a geração de caixa livre acumulada ficou positiva em R$ 635,9 milhões. A empresa teve aumento dos investimentos em capital de giro, ligado principalmente à formação sazonal de estoques no primeiro semestre para atender aos mercados da China e dos Estados Unidos no segundo semestre.
A companhia chegou ao maior nível de estoques de sua história e espera negociar esses produtos nos próximos meses, estratégia semelhante à adotada no ano passado, quando houve liberação de quase R$ 2 bilhões em capital de giro no terceiro trimestre. A Minerva Foods vendeu 506,1 mil toneladas no segundo trimestre de 2026, praticamente estável ante as 507,1 mil toneladas comercializadas um ano antes. O desempenho foi marcado pela combinação de queda nas vendas externas e avanço no mercado interno. As exportações recuaram 5,9%, para 277,3 mil toneladas, enquanto as vendas domésticas cresceram 7,7%, para 228,7 mil toneladas. Apesar da estabilidade do volume total, a receita bruta consolidada cresceu 2,4%, para R$ 15,1 bilhões. O mercado externo respondeu por 56,6% da receita bruta, enquanto o preço médio das exportações avançou 15,1%, para US$ 6,10 por quilo. No mercado interno, o preço médio foi de R$ 28,60 por quilo, alta de 3,4% na comparação anual. A China permaneceu como principal destino das exportações da companhia no trimestre, enquanto a diversificação geográfica permitiu à Minerva redirecionar volumes entre diferentes origens e mercados.
China e Estados Unidos responderam por 18% e 12%, respectivamente, da receita de exportações no período. Segundo o CFO Edison Ticle, a arbitragem entre os mercados da América do Sul ganhou importância no trimestre, especialmente com o aumento do envio de carnes de outras origens para atender ao mercado brasileiro. Segundo ele, a companhia aproveitou essa flexibilidade para exportar mais carne a partir do Brasil e, ao mesmo tempo, abastecer o mercado doméstico com produto originado em outros países da região. "Ficou favorável para exportar mais do Brasil e suprir o mercado local trazendo carne principalmente do Paraguai, mas também um pouco da Argentina e um pouco do Uruguai”, disse Ticle, em conversa com a imprensa. No trimestre, a Minerva abateu 1,43 milhão de bovinos, queda de 3,8% ante 1,49 milhão de cabeças do segundo trimestre de 2025, mas alta de 5,9% em relação ao primeiro trimestre. Nos últimos 12 meses, os abates somaram 5,8 milhões de cabeças, crescimento de 12%.
A Minerva Foods está otimista com uma melhora da rentabilidade nos próximos trimestres, apoiada pela capacidade de redirecionar vendas entre diferentes origens e mercados, afirmou o CFO Edison Ticle. Segundo ele, o Brasil apresenta atualmente a maior margem do grupo, mas o cenário de comércio com a China pode favorecer a rentabilidade de outras operações. Argentina e Uruguai aparecem atualmente em um patamar de rentabilidade inferior, segundo o executivo, principalmente por causa do preço do gado. Entretanto, com o Brasil deixando de exportar para a China em função do preenchimento da cota para 2026, deve ocorrer recuperação da rentabilidade nos outros países. Ticle também destacou as vendas aos Estados Unidos, para onde a Minerva pode obter rentabilidade semelhante ou até superior à registrada na China.
“Nos Estados Unidos, a gente consegue uma rentabilidade parecida ou até maior do que na China", disse. Para o segundo semestre, o executivo afirmou que a combinação de estoques, estratégia comercial e dinâmica de preços sustenta uma perspectiva positiva. "A gente está otimista com a possibilidade de melhoria de rentabilidade pros próximos trimestres", afirmou. A Minerva Foods terá a desalavancagem como prioridade na alocação de capital, mesmo diante da geração de lucro líquido relevante prevista para este ano, afirmou o CFO Edison Ticle em teleconferência de resultados. Segundo ele, a companhia pretende manter a distribuição de dividendos em 25% do lucro líquido, porcentual mínimo, e direcionar o excedente de caixa para redução da dívida. “A prioridade é desalavancagem”, disse. O executivo disse que a recompra de bonds é uma das ferramentas que a companhia utiliza para reduzir o endividamento.
A estratégia consiste em usar o caixa gerado pela operação para recomprar e cancelar títulos, reduzindo simultaneamente a dívida líquida e a dívida bruta. “Recomprar bond é uma das ferramentas que a gente usa pra desalavancar. A gente usa o caixa gerado, recompra bond e cancela", disse. Segundo Ticle, a Minerva continuará pagando apenas 25% do lucro líquido como dividendos. A decisão está relacionada ao objetivo de acelerar a redução do endividamento em um ambiente de juros elevados. Para o executivo, a redução da dívida e, consequentemente, da despesa financeira é a melhor forma de gerar valor para os acionistas no longo prazo. “Como as taxas de juros estão muito altas, a melhor forma de gerarmos valor a longo prazo é ter uma dívida menor e uma despesa financeira mais enxuta”, disse. Fonte: Broadcast Agro.