24/Aug/2026
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a ampliação da cota tarifária para importação de carne bovina pelos Estados Unidos pode melhorar as condições de acesso do produto brasileiro ao mercado norte-americano. O anúncio ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizar, por 90 dias, a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina destinada à produção de carne moída sem cobrança de tarifa adicional fora da cota. O Brasil poderá ser beneficiado caso seja incluído na medida. Atualmente, o País participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores, que normalmente é preenchida já nas primeiras semanas do ano.
Após o esgotamento desse volume, a carne bovina brasileira continua ingressando nos Estados Unidos, mas fica sujeita à tarifa extra-cota de 26,4%. A eventual ampliação da cota tarifária poderá representar melhora nas condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado norte-americano, caso o Brasil seja contemplado na distribuição do novo volume. A medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos tem como objetivo ampliar a oferta de carne para moagem e reduzir os preços da carne moída aos consumidores. Segundo o governo norte-americano, a carne importada durante o período de 90 dias será comercializada com desconto de 25% em relação aos preços atuais de mercado. A iniciativa também busca criar condições para a recomposição do rebanho bovino dos Estados Unidos.
A Abiec ressalta, porém, que ainda não há informações oficiais sobre a forma de implementação da medida. Os dados disponíveis até o momento são os divulgados pela imprensa e não detalham os volumes destinados a cada origem, os critérios de distribuição nem os países que poderão ser contemplados. Dessa forma, o impacto efetivo da nova cota sobre as exportações brasileiras de carne bovina aos Estados Unidos ainda depende da regulamentação pelo governo norte-americano. A definição dos critérios de distribuição será determinante para avaliar o potencial de ampliação do acesso do produto brasileiro ao mercado dos Estados Unidos.
O Itaú BBA avalia que a sinalização do governo dos Estados Unidos de ampliar temporariamente a entrada de carne bovina fora da cota atual tende a favorecer os exportadores brasileiros, em um momento relevante para a redirecionamento de embarques que tinham a China como principal destino. A Minerva tende a ser a principal beneficiária, em razão de sua maior exposição às exportações. O anúncio prevê a possibilidade de importação de 300 mil toneladas de carne bovina fora da cota existente durante 90 dias, com o objetivo de ampliar a oferta e reduzir os preços da carne moída no mercado norte-americano. As importações recentes dos Estados Unidos estão em aproximadamente 240 mil toneladas por mês.
Caso a medida seja implementada, o volume adicional equivaleria a cerca de 40% desse fluxo mensal durante o período de vigência. Com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil responde atualmente por cerca de 40 mil toneladas mensais das exportações de carne bovina destinadas aos Estados Unidos. O volume é superior ao indicado pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mais próximos de 30 mil toneladas mensais. Considerando a participação histórica do Brasil nas importações norte-americanas, de aproximadamente 25%, a cota adicional poderia representar aumento de cerca de 7% no volume mensal exportado pelo Brasil, com potencial de sustentação dos preços.
A estimativa pode ser conservadora caso os Estados Unidos absorvam parcela maior dos volumes brasileiros em um processo de redirecionamento das exportações anteriormente destinadas à China. Para os frigoríficos dos Estados Unidos, a medida pode representar inicialmente um fator negativo, considerando que o objetivo declarado é reduzir em 25% os preços da carne moída em relação aos níveis atuais. Contudo, as importações correspondem a aproximadamente 20% do consumo total de carne bovina norte-americano.
Um aumento de 11% nas importações equivaleria a aproximadamente 2% de crescimento da oferta total em 2026, o que tende a limitar o impacto sobre o mercado doméstico. Para os processadores brasileiros, a medida ocorre em um momento favorável, ao oferecer uma alternativa para compensar um ambiente mais desafiador para as exportações. Para JBS e BRF, o Itaú BBA projeta impacto marginalmente negativo, uma vez que o aumento do escoamento de volumes na América do Sul poderá ser parcialmente compensado por eventual pressão sobre a rentabilidade do segmento de carne bovina nos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.