27/Aug/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que avaliará a existência de excesso de regulamentação sobre as plantas de processamento de carne bovina no País, com o objetivo de facilitar o abate próprio por parte dos pecuaristas. A eventual flexibilização das normas integra a estratégia de redução de burocracia da administração norte-americana e busca ampliar a concorrência e reduzir a concentração no setor de processamento de carne. A proposta considera a simplificação das normas sanitárias impostas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para facilitar as operações de pequenos produtores e permitir maior capacidade de abate e processamento local dos próprios animais. A medida poderia ampliar as alternativas de comercialização dos pecuaristas e reduzir a dependência das grandes empresas de processamento.
A discussão ocorre em meio às críticas do governo à elevada concentração da indústria norte-americana de carne bovina. O setor é dominado por quatro grandes grupos, JBS, National Beef, subsidiária da Marfrig, Tyson Foods e Cargill, conhecidos como Big Four. Sob ordem executiva de Donald Trump, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) abriu, em maio de 2026, investigações sobre possível formação de cartel e práticas anticoncorrenciais na cadeia de suprimentos de alimentos. A concentração na indústria de abate bovino teria avançado de 25% em 1977 para 85%, reduzindo as alternativas de venda disponíveis aos pecuaristas. Paralelamente, o governo busca conter a inflação da carne bovina para o consumidor.
O governo norte-americano anunciou a liberação da importação de até 300 mil toneladas de carne bovina sem tarifas adicionais por 90 dias, acompanhada do compromisso de redução de 25% nos preços ao consumidor no varejo. A iniciativa enfrenta forte oposição de entidades agrícolas, incluindo a Federação Americana do Farm Bureau (AFBF). A entidade avalia que a entrada de carne estrangeira pressiona as cotações recebidas pelos produtores e reduz os incentivos à reconstrução do rebanho bovino dos Estados Unidos. O rebanho norte-americano está no menor nível em mais de 50 anos, após impactos de períodos de seca e do aumento acumulado de 30% nos custos de produção desde 2020. A combinação entre menor disponibilidade de animais, custos mais elevados, concentração no processamento e medidas para ampliar as importações mantém elevada a pressão sobre a cadeia pecuária dos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.