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27/Aug/2026

Boi: setor dos EUA pede fim de plano de importação

A Federação Americana do Farm Bureau (AFBF) solicitou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a reavaliação do plano de liberar, durante 90 dias, a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina sem tarifas adicionais. Em análise econômica, a entidade avalia que a entrada de um volume elevado de carne estrangeira, com desconto de 25% em relação aos preços de mercado, pode pressionar as cotações recebidas pelos pecuaristas e comprometer a recomposição do rebanho norte-americano, atualmente no menor nível em mais de 50 anos. A suspensão da cota tarifária por 90 dias gerou preocupação no mercado pecuário, principalmente porque cerca de 70% dos bezerros nascidos na primavera são comercializados entre setembro e novembro, período que coincide com a janela proposta para a entrada da carne importada.

Na avaliação da AFBF, a redução dos incentivos aos produtores no momento em que são tomadas decisões de investimento de longo prazo pode prolongar o ciclo de oferta restrita e manter elevados os custos de produção, sem assegurar redução sustentável dos preços da carne moída ao consumidor. Análise da AFBF aponta que a elevação dos preços da carne moída no varejo decorre de fatores estruturais acumulados ao longo de anos, e não de um desabastecimento temporário. O preço da carne moída atingiu recorde de US$ 6,90 por libra em abril de 2026. Dados do relatório de inventário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que o rebanho de vacas de corte totalizava 28,5 milhões de cabeças em 1º de julho de 2026, menor volume desde o início da série histórica, em 1971. A safra de bezerros aumentou 3%, para 32,5 milhões de cabeças, sinalizando o início da retenção de novilhas.

Apesar disso, os preços do gado vivo acumulam queda de 14% nos últimos meses, equivalente a cerca de US$ 40,00 por 100 libras-peso, pressionados por fechamentos de frigoríficos e incertezas comerciais. As despesas operacionais das fazendas também avançaram. A seca, que provocou abate prematuro de animais, combinada à inflação dos insumos, levou os custos de produção dos criadores de bezerros a um recorde de US$ 1.762,00 por cabeça em 2025. O valor representa aumento superior a US$ 400,00 por cabeça, ou quase 30%, em relação a 2020. O retorno financeiro sobre os custos totais de produção, incluindo terra, máquinas e impostos, permanece negativo há 30 anos consecutivos. Para a AFBF, esse histórico torna a atual fase de recuperação do rebanho e das condições econômicas dos pecuaristas especialmente frágil.

A disponibilidade de gado magro também enfrenta restrições adicionais devido ao fechamento da fronteira com o México, medida adotada para prevenir a entrada da praga da mosca-da-bicheira do Novo Mundo. O plano anunciado por Trump prevê a autorização para importação de até 300 mil toneladas de carne bovina destinadas à produção de carne moída, com desconto de 25% ante os valores praticados no mercado. A medida foi apresentada pelo presidente como uma resposta à alta dos preços dos alimentos, com expectativa de proporcionar alívio imediato às famílias e, simultaneamente, criar condições para a reconstrução do rebanho norte-americano. A AFBF, porém, considera que a ampliação temporária da oferta por meio das importações pode produzir efeito contrário sobre os incentivos à recomposição do rebanho. A entidade defende a revisão do plano para evitar que a pressão sobre os preços pagos aos pecuaristas comprometa investimentos de longo prazo e prolongue as restrições estruturais de oferta de carne bovina nos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.