27/Aug/2026
Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o esgotamento da cota chinesa para a carne bovina brasileira deverá representar um desafio maior para o Pará, Estado que não possui acesso a mercados relevantes como Estados Unidos, Chile, México e União Europeia. O impacto da redução dos embarques para a China já aparece nos dados de julho, quando as exportações brasileiras de carne bovina recuaram. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou US$ 1,63 bilhão em carne bovina e derivados em julho, queda de 5,6% ante igual mês de 2025. O volume embarcado recuou 16%, para 308,2 mil toneladas. Considerando apenas a carne bovina in natura, a receita diminuiu 5,7%, para US$ 1,447 bilhão, enquanto o volume caiu 17,5%, para 227,89 mil toneladas. As exportações de carne bovina in natura para a China recuaram 39,6% em receita, para US$ 529,24 milhões, e 47,8% em volume, para 82,7 mil toneladas.
Apesar da retração em julho, no acumulado de janeiro a julho as exportações brasileiras de carne bovina e derivados ainda registraram crescimento de 3,1% em volume, para 2,119 milhões de toneladas, e de 26% em receita, para US$ 11,56 bilhões. A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira no período, com compras de 857,24 mil toneladas, alta de 8,5%, e desembolso de US$ 5,346 bilhões, aumento de 30,95%. O mercado chinês respondeu por 46,26% da receita total das exportações brasileiras do setor entre janeiro e julho. O Pará tende a ser mais afetado pelo esgotamento da cota chinesa porque, apesar de possuir o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 25,56 milhões de cabeças, ocupa apenas a quarta posição em abates e a sétima em exportações de carne bovina. A menor diversificação de mercados reduz a capacidade do Estado de redirecionar a produção que deixará de ser destinada à China.
Os Estados Unidos, segundo maior comprador da carne bovina brasileira, elevaram em 48% as compras de produto in natura entre janeiro e julho, para US$ 1,276 bilhão. Chile e União Europeia também ampliaram as aquisições no período, contribuindo para compensar parcialmente a menor demanda chinesa. Apesar do avanço de outros destinos, a concentração das vendas externas permanece elevada. China, Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia responderam por 75,56% da receita das exportações brasileiras de carne bovina in natura nos sete primeiros meses de 2026. Nesse cenário, a ampliação do acesso do Pará aos mercados internacionais ganha importância estratégica para reduzir a dependência da demanda chinesa e aumentar a capacidade de redirecionamento da produção. A diversificação dos destinos deve ser priorizada nas negociações comerciais brasileiras diante do esgotamento da cota chinesa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.