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27/Aug/2026

Boi: oferta restrita pode sustentar preço no fim do ano

O Itaú BBA reduziu de 1% para 0,5% a projeção de crescimento da produção brasileira de carne bovina em 2026 ante 2025 e, simultaneamente, alterou a estimativa para as exportações, de queda de 8% para recuo de 2%. As revisões refletem a avaliação de um mercado mais equilibrado entre oferta e demanda, apesar da fraqueza das vendas externas no segundo semestre, e reforçam uma perspectiva construtiva para os preços do boi gordo no fim do ano. A revisão considera a combinação de menor disponibilidade de animais para abate e uma possível recuperação das exportações, fatores que tendem a sustentar o mercado nos próximos meses. O cenário de oferta de gado começou a se ajustar após um primeiro semestre marcado por maior disponibilidade. Dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam aumento de 4,2% nos abates no segundo trimestre ante igual período de 2025, enquanto a produção de carne bovina cresceu 4,7%, favorecida pelo maior peso médio das carcaças.

No primeiro semestre, a oferta de animais para abate ficou 2,3% acima da registrada no mesmo período do ano passado, enquanto a produção de carne aumentou cerca de 4%. A dinâmica mudou a partir de julho. Dados preliminares apontam queda próxima de 20% nos abates no mês ante julho de 2025. A menor atividade dos frigoríficos, incluindo a adoção de férias coletivas e a redução das compras por empresas mais dependentes das exportações, ocorreu simultaneamente a uma oferta mais restrita de animais. Esse movimento reduziu de forma significativa a disponibilidade de carne bovina no mercado doméstico. A menor oferta de gado contribuiu para compensar o enfraquecimento da demanda externa, principalmente da China. As exportações diárias de carne bovina em agosto, até a terceira semana, recuaram 26% ante igual período de 2025, após a China ter preenchido uma cota de 1,1 milhão de toneladas. Parte do impacto foi compensada pelo desempenho das vendas para Estados Unidos, Chile e Arábia Saudita.

O comportamento da oferta será determinante para a formação dos preços no quarto trimestre. A principal variável será a manutenção ou não do padrão de oferta significativamente inferior ao observado no primeiro semestre durante os últimos meses do ano. A evolução desse fluxo de bovinos deverá determinar a intensidade de eventual recuperação dos preços do boi gordo. O Itaú BBA projeta uma normalização da demanda externa a partir de outubro, com a retomada dos negócios destinados à cota chinesa de 2027. As compras da China podem ganhar força em novembro e dezembro, com embarques destinados ao atendimento da cota do próximo ano e entrada do produto no mercado chinês a partir de 1º de janeiro. Nesse cenário, o impacto da fraqueza das exportações no acumulado de 2026 tende a ser relativamente limitado. Paralelamente, o mercado doméstico continuaria sem excesso relevante de carne bovina, condição que poderia sustentar ou até reforçar os preços do boi gordo.

Outro fator favorável às exportações é a redução, anunciada na semana anterior, da tarifa norte-americana sobre 300 mil toneladas de carne importada, não apenas do Brasil, por 90 dias. A medida representa um estímulo adicional às vendas externas brasileiras e pode contribuir para a recomposição da demanda internacional. Apesar da oferta mais restrita de gado, o cenário para o confinamento permanece desafiador, principalmente em razão da valorização do boi magro e do elevado custo de reposição. Em contrapartida, os contratos futuros de boi magro para novembro e dezembro voltaram a ser negociados próximos de R$ 370,00 por arroba nível que oferece margens interessantes para os confinadores. A possível recuperação das exportações a partir do quarto trimestre, combinada a uma sazonalidade mais favorável do consumo doméstico de carne bovina, também pode contribuir para melhorar as condições do mercado e apoiar as margens da atividade de confinamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.