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07/Oct/2026

Boi: ciclo de alta se consolida e deve elevar preço

O ciclo de alta da arroba do boi gordo está consolidado e os preços podem alcançar até R$ 400,00 por arroba no início de 2027, ante a média atual de R$ 360,00 por arroba em um cenário marcado pela redução da oferta de bovinos para abate e pela retenção de vacas e novilhas para reprodução. A menor disponibilidade de gado tem aumentado a disputa dos frigoríficos pelos animais, enquanto pecuaristas demonstram maior resistência em entregar lotes antes de atingirem o peso considerado ideal, diante da expectativa de valorização adicional e de maior rentabilidade. Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o abate de vacas e novilhas, considerado um dos principais indicadores da mudança do ciclo pecuário, começou a recuar. No segundo trimestre de 2026, foram abatidas 5,26 milhões de fêmeas, queda de 1,9% ante o mesmo período de 2025.

A retenção de matrizes para a produção de bezerros e de bois magros, em um ambiente de valorização também dessas categorias, reduz a oferta total de bovinos para abate e cria condições para a sustentação e a elevação da arroba. A StoneX identifica que a retenção de fêmeas já produziu um ponto de inflexão no ciclo pecuário. Embora ainda não seja possível determinar o pico da retenção de matrizes, a redução do número de vacas e novilhas encaminhadas aos frigoríficos já está consolidada. O atual estágio do mercado está entre os níveis mais elevados do ciclo de alta, com maior volume de matrizes direcionadas à reprodução. O quarto trimestre será determinante para avaliar a intensidade da recomposição do rebanho, uma vez que os índices de prenhez registrados durante a estação de monta, nos meses mais quentes entre a primavera e o verão, deverão indicar o potencial de nascimentos no início de 2027.

A menor disponibilidade de vacas também aparece nos dados compilados pela StoneX a partir das informações do Serviço de Inspeção Federal (SIF). Em agosto, o abate dessa categoria atingiu o menor volume desde 2023, com 1,18 milhão de cabeças, equivalente a apenas 37% do total de animais encaminhados ao abate. Em fevereiro, as fêmeas representavam 51,72% do total, com 1,67 milhão de cabeças. A redução da participação das vacas e novilhas reforça a percepção de que a pecuária brasileira entrou em uma fase de valorização mais consistente. A Scot Consultoria também identifica a menor participação das fêmeas nas programações dos frigoríficos como um dos principais sinais da mudança de ciclo. A menor disponibilidade de gado intensificou a disputa entre indústria e pecuaristas, com os frigoríficos adquirindo volumes suficientes principalmente para recompor as escalas de abate, enquanto os produtores restringem a oferta.

Esse desequilíbrio mantém o mercado de firme a alto e se reflete na curva futura da B3. Os contratos para março de 2027 sinalizavam R$ 396,00 por arroba do boi na B3 no dia 2 de outubro, indicando que parte do mercado já precifica uma continuidade do movimento de valorização. A perspectiva é de que o ciclo de alta possa se estender até o fim de 2026, avançar ao longo de 2027 e alcançar meados de 2028. A duração e a intensidade desse movimento, entretanto, dependerão das condições econômicas e das políticas adotadas nos próximos anos. Nesse contexto, a possibilidade de a arroba alcançar R$ 400 não representa necessariamente um teto para as cotações, já que a trajetória dos preços dependerá principalmente da relação entre oferta, demanda e rentabilidade ao longo do ciclo. A margem do produtor permanece como um dos principais indicadores para acompanhar a sustentabilidade da valorização.

Em 2026, a rentabilidade da pecuária foi favorecida pelo menor custo da dieta, apesar da valorização do gado de reposição, especialmente bezerros e bois magros. Dessa forma, mais relevante do que estabelecer um preço máximo para a arroba é avaliar a capacidade de geração de margem do produtor, que influencia diretamente as decisões de retenção de matrizes e de reposição do rebanho. O Itaú BBA pondera que existem diferentes critérios para determinar o momento exato da virada do ciclo pecuário. Um deles considera a melhora da margem da atividade de cria e a valorização do bezerro, enquanto outro utiliza como referência a redução efetiva do abate de fêmeas. Pela primeira métrica, a mudança de ciclo poderia ser considerada anterior, uma vez que a margem da cria apresentou melhora em 2024 e 2025.

Pela segunda métrica, porém, o sinal tornou-se mais evidente apenas em 2026, com a efetiva redução do abate de vacas e novilhas. Até o segundo trimestre de 2026, não havia sido observada uma redução efetiva do abate de fêmeas. No primeiro semestre, os machos compensaram parte da menor oferta de vacas e novilhas, principalmente por apresentarem carcaças mais pesadas e maior rendimento de carne. A partir de julho e agosto, contudo, houve redução significativa do volume total de animais abatidos, ampliando o impacto da menor disponibilidade de bovinos sobre a formação da arroba. Esse movimento contribuiu para sustentar os preços do boi mesmo durante o período de menor desempenho das exportações para a China, em razão do preenchimento da cota estipulada pelo país asiático para o Brasil em 2026, de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina.

Ao longo de setembro, a arroba manteve trajetória de alta mesmo sem um fluxo mais forte de vendas para o mercado chinês, evidenciando que a redução da oferta doméstica passou a exercer influência maior sobre as cotações. O cenário reforça a característica de um ciclo pecuário de alta em consolidação, com a retenção de fêmeas reduzindo a oferta imediata de animais para abate, enquanto a recuperação futura do rebanho dependerá dos índices de prenhez, do número de nascimentos a partir de 2027 e das decisões dos pecuaristas em relação à retenção ou comercialização de matrizes. A combinação entre menor oferta, melhora das margens e preços futuros elevados sustenta a perspectiva de continuidade da valorização da arroba, com possibilidade de aproximação ou superação de R$ 400 ao longo do próximo ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.