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08/Oct/2026

Carnes: Farelo e DDGS podem reduzir custo da pecuária

A expansão dos biocombustíveis tende a ampliar a oferta de ingredientes para ração e reduzir os custos de produção de carnes e lácteos no Brasil. O maior esmagamento de soja para obtenção de óleo e o avanço do etanol de cereais aumentam a disponibilidade de farelo e de coprodutos destinados à alimentação animal, fortalecendo a competitividade da pecuária brasileira e criando espaço para expansão da produção e das exportações de proteínas animais, além de potencial impacto sobre o consumo doméstico. A demanda por óleo para a produção de biocombustíveis passou a exercer maior influência sobre o esmagamento de soja no Brasil e nos Estados Unidos.

Como o processamento da oleaginosa resulta simultaneamente em óleo e farelo, o crescimento da indústria de combustíveis amplia também a oferta de matéria-prima para fabricantes de ração. Esse movimento tende a aumentar a disponibilidade de farelo no mercado e exercer pressão de baixa sobre seu custo. A expansão dos biocombustíveis também modifica a composição da receita das indústrias de esmagamento. O óleo passou a representar a maior parcela da margem obtida no processamento, enquanto a participação do farelo é menor do que anteriormente. O Brasil, entretanto, mantém capacidade de escoamento do farelo por meio das exportações, reduzindo o risco de excesso de oferta no mercado doméstico.

Outra fonte crescente de ingredientes para alimentação animal é a indústria de etanol de cereais. Além do combustível, as usinas produzem coprodutos como os DDGS, grãos secos de destilaria com solúveis, obtidos após a fermentação e a secagem dos grãos. O produto é utilizado nas formulações de rações como fonte de proteína e fibra e amplia a disponibilidade de matérias-primas para a produção animal. A indústria de etanol de cereais também vem diversificando suas fontes de matéria-prima. Além do milho, o sorgo ganha espaço, enquanto existem projetos para produção de etanol a partir de arroz e trigo.

Na Região Centro-Oeste, a instalação de usinas de etanol criou uma nova demanda pelo sorgo, facilitou a comercialização do cereal e estimulou a expansão da área cultivada. A maior disponibilidade de farelo de soja e de coprodutos da indústria de etanol favorece a produção de proteína animal, segmento no qual o Brasil apresenta elevada competitividade no mercado internacional. A redução do custo dos ingredientes utilizados na alimentação dos rebanhos tende a melhorar a estrutura de custos da pecuária e ampliar a capacidade de oferta de carnes ao mercado externo. O impacto potencial se estende também ao setor de lácteos, considerado uma oportunidade relevante para o agronegócio brasileiro.

Com a alimentação animal representando parcela importante dos custos de produção, a maior oferta de farelo e de coprodutos de cereais pode melhorar a competitividade dos sistemas de produção de leite e contribuir para ampliar a participação dos lácteos brasileiros nas exportações agropecuárias. A integração entre a expansão dos biocombustíveis e a produção de proteína animal cria, portanto, um efeito econômico relevante para o agronegócio. O aumento da demanda por óleo e etanol estimula o processamento de grãos e, simultaneamente, amplia a oferta de ingredientes para ração, estabelecendo uma relação entre biocombustíveis, redução de custos da alimentação animal e maior competitividade das cadeias de carnes e lácteos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.