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08/Oct/2026

Frango: relação com China deve transcender governos

A relação comercial entre Brasil e China deve ser preservada independentemente do resultado das eleições presidenciais e de eventuais mudanças de governo, com foco na expansão das exportações brasileiras de carnes e na segurança alimentar. A dimensão da participação do Brasil no abastecimento internacional de proteínas reforça a necessidade de continuidade das estratégias comerciais e de separação entre as relações de mercado e as disputas políticas e ideológicas. A importância da China para o agronegócio brasileiro exige uma abordagem pragmática nas relações bilaterais, especialmente no comércio de proteínas animais. O setor defende a manutenção das ações de abertura e consolidação de mercados externos, independentemente da orientação política do governo que assumir o País, preservando acordos comerciais, promoção de exportações e iniciativas de ampliação da presença brasileira no mercado internacional.

No primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O cenário eleitoral também envolve discussões sobre a possibilidade de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, assumir o Ministério das Relações Exteriores. Na semana anterior, Eduardo havia sinalizado essa possibilidade e defendido uma reformulação no Itamaraty. Nada pode alterar a necessidade de continuidade das relações comerciais do agronegócio. A eleição ainda não está definida, e a estratégia defendida para o setor mantém a mesma orientação adotada durante a transição entre os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva: a atuação do agronegócio no abastecimento de alimentos e na geração de comércio exterior deve permanecer além das mudanças de governos e ministros.

O Brasil responde por 37,6% do comércio mundial de carne de frango, participação que evidencia a relevância do País para a oferta internacional de proteínas. Essa posição reduz o espaço para que mudanças de governo resultem em descontinuidade das políticas comerciais ou em subordinação das relações com grandes compradores a orientações ideológicas, considerando a dependência de diversos mercados em relação à oferta brasileira. Diferenças de orientação política e de retórica fazem parte do processo eleitoral e institucional, mas a estratégia comercial das entidades do setor deve permanecer separada dessas disputas. Para o agronegócio, a manutenção do acesso aos mercados e a continuidade da promoção comercial são necessárias para sustentar a competitividade das exportações e ampliar a presença brasileira no comércio global de proteínas.

O conflito tarifário com os Estados Unidos reforça o peso das condições de abastecimento e dos preços dos alimentos nas decisões comerciais. Em novembro de 2025, o governo dos Estados Unidos retirou a tarifa adicional de 40% aplicada a uma série de produtos brasileiros, incluindo a carne bovina. A evolução dos preços dos alimentos no mercado norte-americano foi apontada como um dos fatores capazes de influenciar decisões políticas mesmo em períodos de maior tensão diplomática. A estratégia do setor de proteínas envolve, portanto, tanto a expansão do mercado externo quanto a garantia de acesso da população brasileira aos alimentos. A manutenção de relações comerciais pragmáticas com a China e demais grandes mercados consumidores é considerada fundamental para preservar a competitividade das exportações, enquanto a oferta doméstica de proteínas permanece como componente da segurança alimentar nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.