ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

09/Oct/2026

Carnes: fundamentos distintos no mercado dos EUA

Segundo o CoBank, banco norte-americano de crédito rural, os mercados de carne bovina, suína e de frango dos Estados Unidos entram no quarto trimestre com fundamentos distintos. Na carne bovina, a oferta restrita de gado mantém os preços sustentados, enquanto a carne suína depende mais das exportações para equilibrar a produção e o frango enfrenta pressão sobre as margens diante do aumento da oferta. Na carne bovina, a principal limitação permanece na disponibilidade de bovinos para abate. O rebanho total dos Estados Unidos alcançou 94,2 milhões de cabeças em julho, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), alta de 0,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior e primeiro crescimento desde 2018. O número de bovinos de corte, entretanto, continuou em queda, e a recomposição do rebanho permanece lenta devido aos custos de reposição, ao risco de seca e à disponibilidade limitada de novilhas. Em meados de setembro, 58% do rebanho norte-americano estava localizado em áreas classificadas entre seca moderada e excepcional.

A menor disponibilidade também mantém parte da capacidade de abate dos frigoríficos ociosa. O cenário favorece os pecuaristas, que continuam recebendo preços elevados pelo gado, mas aumenta os riscos de abastecimento para confinadores, frigoríficos, varejistas e empresas de alimentação. Com o abate abaixo dos níveis históricos de longo prazo, a disponibilidade de gado tende a permanecer como uma das principais restrições do mercado bovino no quarto trimestre. Os Estados Unidos continuam recorrendo às importações para complementar a oferta doméstica de carne bovina, enquanto as exportações recuaram. As compras externas são concentradas principalmente em aparas magras utilizadas na composição da carne moída produzida internamente, o que reduz a possibilidade de substituição direta de determinados cortes produzidos nos Estados Unidos. Outro fator de oferta é a reabertura do ponto de entrada de Douglas, no Arizona, para o trânsito de gado vivo procedente do México, após quase dois anos de interrupção provocada pela presença da mosca-varejeira do Novo Mundo.

Na carne suína, o balanço é menos favorável. A produção está ligeiramente acima da registrada no ano anterior, mas o consumo doméstico não acompanhou esse crescimento. O índice de demanda no varejo recuou para o menor nível desde 2020 às vésperas da temporada de churrascos do verão norte-americano, enquanto os preços não apresentaram a elevação sazonal habitual. Ao mesmo tempo, a valorização do milho elevou o custo da ração, e combustíveis e demais despesas operacionais permanecem elevados, fatores que tendem a limitar investimentos e planos de expansão da indústria. Nesse cenário, as exportações funcionam como principal mecanismo de equilíbrio para o mercado suíno. O USDA projeta embarques de 3,3 milhões de toneladas em 2026, alta de 2,9% em relação a 2025. A estimativa permanece positiva mesmo após a desaceleração das vendas para o México no início do verão, provocada por restrições à carne produzida em Iowa e no Texas em razão do vírus da pseudorraiva. O México permanece como principal destino da carne suína norte-americana, especialmente para presuntos.

Para a China, contudo, as oportunidades de exportação estão diminuindo em razão da recuperação da produção doméstica e do enfraquecimento da demanda. No longo prazo, a competitividade da carne suína no mercado norte-americano dependerá da capacidade de ampliar o consumo com produtos que combinem preço, conveniência, sabor e inovação, reduzindo a dependência das exportações para absorver a oferta. No mercado de frango, a oferta voltou a crescer. O abate semanal ficou aproximadamente 2% acima do registrado um ano antes no terceiro trimestre, enquanto a produção mensal aumentou em junho e julho, atingindo recordes para esses meses. Os estoques em câmaras frias permanecem abaixo dos níveis do ano anterior, indicando que o mercado ainda não apresenta excesso generalizado de produto. A principal pressão está, contudo, nas margens, diante dos preços enfraquecidos no atacado. Os integradores de frango de corte apresentam maior potencial para expansão de volumes entre as três proteínas, mas esse crescimento depende da capacidade da demanda de absorver a produção adicional.

O desempenho do segmento também é influenciado pelo comportamento do consumo fora do domicílio. As vendas das redes especializadas em frango cresceram 5,3% em 2025, acima do conjunto das 500 maiores redes de restaurantes dos Estados Unidos. Apesar disso, o fluxo de consumidores permanece pressionado, e parte do crescimento recente das vendas parece decorrer mais da elevação dos preços do que do aumento do número de clientes. A concorrência da carne bovina importada também pode aumentar nos cardápios durante o outono norte-americano, especialmente por meio de promoções de carne moída e ofertas por tempo limitado. Esse movimento tende a ampliar a disputa por consumidores sensíveis a preços e pode limitar a capacidade dos estabelecimentos de repassar integralmente custos mais elevados. Para o quarto trimestre, o CoBank identifica perspectivas relativamente melhores para produtores de gado de corte, comerciantes de aves e varejistas e empresas de alimentação posicionados em faixas de preços mais baixos.

Em contrapartida, frigoríficos de carne bovina, produtores de suínos e integradores de frango devem enfrentar maior pressão sobre as margens. Entre os principais indicadores a serem monitorados estão a disponibilidade de gado e o comportamento das importações de carne bovina; a demanda do México e os estoques refrigerados de carne suína; e os preços no atacado e o fluxo de consumidores nas redes especializadas em frango. Novos episódios de seca, interrupções comerciais ou aumento dos estoques podem ampliar os riscos sobre a oferta e as margens. O principal fator comum às três proteínas será a capacidade da demanda sazonal de absorver a oferta disponível em um ambiente de custos de produção ainda elevados. A combinação entre oferta restrita e demanda firme tende a sustentar a carne bovina, enquanto a maior disponibilidade de suínos e frango aumenta a necessidade de estímulos ao consumo doméstico e de manutenção dos fluxos de exportação para preservar o equilíbrio dos mercados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.