09/Oct/2026
Segundo avaliação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, a restrição da União Europeia à entrada de produtos de origem animal do Brasil tende a ser temporária e não deve se perpetuar, A medida representa uma retração pontual das exportações brasileiras para o bloco, enquanto o governo busca soluções para superar as barreiras de acesso ao mercado europeu. Anunciada em maio, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco passou a vigorar no início de setembro. Com a medida, o Brasil ficou impedido de exportar carne bovina, carne suína, carne de frango, mel, pescados e ovos para os 27 países da União Europeia.
A restrição, contudo, antecede a assinatura do acordo comercial e, segundo o governo brasileiro, não está diretamente relacionada ao tratado de livre-comércio, ao Brasil ou ao Mercosul. O Ministério da Agricultura e Pecuária mantém negociações com as autoridades europeias para superar as barreiras e já identifica soluções para os segmentos de carne bovina, frango e mel. O caráter temporário da restrição reduz, em princípio, o risco de uma alteração estrutural na presença dos produtos brasileiros no mercado europeu, embora o bloqueio tenha impacto sobre os fluxos comerciais enquanto permanecer em vigor. A retomada das exportações dependerá do atendimento às exigências estabelecidas pela União Europeia e da conclusão dos procedimentos necessários para a reinclusão do Brasil na lista de países autorizados.
A discussão envolve principalmente aspectos fitossanitários, conforme avaliação da ApexBrasil, e não uma mudança nas condições comerciais estabelecidas pelo acordo Mercosul-União Europeia. A manutenção do diálogo técnico e a solução das exigências sanitárias são, portanto, os principais elementos para a recuperação do acesso dos produtos brasileiros ao bloco. Mesmo com a restrição europeia, a perspectiva para as exportações brasileiras de carne permanece positiva. A ApexBrasil projeta novo recorde de embarques do setor em 2026, com receita de US$ 18 bilhões. O desempenho indica que a diversificação de mercados continua funcionando como mecanismo de compensação para eventuais limitações de acesso em destinos específicos e reduz a dependência do mercado europeu para a expansão das vendas externas brasileiras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.