09/Oct/2026
A China deve retomar as compras de carne bovina do Brasil entre novembro e dezembro, com os primeiros embarques vinculados à cota de 2027. A limitação das compras chinesas em 2026 reduziu a participação do país nas exportações brasileiras e permitiu que os Estados Unidos assumissem a liderança dos embarques em setembro. A retomada chinesa tende a alterar novamente a distribuição dos destinos da carne bovina brasileira no fim do ano. Novos negócios com a China já estão sendo fechados, indicando antecipação das operações para o início da nova cota. A participação chinesa nas exportações brasileiras, que estava próxima de 50% em 2025, recuou para 42% em 2026 e tende a diminuir ainda mais até o fim do ano. Em setembro, a participação dos demais compradores aumentou de 17% para 26%, enquanto a China permaneceu entre os dez principais destinos, mas com participação de apenas 6% no mês. O limite estabelecido pela China para 2026 ficou pouco acima de 1 milhão de toneladas, ante 1,5 milhão de toneladas embarcadas pelo Brasil ao país em 2025.
O Outlook 2026 da StoneX estima que a cota de 2026 tenha sido preenchida já no início de julho, antes da confirmação oficial. O movimento provocou uma inversão da sazonalidade tradicional das exportações brasileiras, com o primeiro semestre registrando, pela primeira vez em quase uma década, os maiores volumes embarcados do ano. A mudança no calendário de exportações também altera o planejamento da cadeia pecuária. Os confinamentos passaram a repor animais e adquirir ração mais cedo, enquanto a necessidade de preencher rapidamente a cota chinesa pode antecipar o período de abates também em 2027. Dessa forma, a demanda externa passa a exercer influência mais direta sobre o planejamento de engorda e comercialização de animais terminados. Os Estados Unidos, que concentravam maior parte das compras no início do ano, ampliaram os embarques no segundo semestre, principalmente após o anúncio, nos primeiros dias de setembro, de isenção tarifária para determinados cortes. A medida reduziu de forma significativa a barreira comercial anteriormente aplicada, mas a isenção é temporária e restrita à carne moída produzida com aparas magras.
O mercado norte-americano opera com o menor rebanho em décadas e preços elevados, o que limita a disponibilidade de carne. A concorrência internacional tende a aumentar com a redução das vendas brasileiras para a China. O Brasil passa a disputar com maior intensidade mercados como Estados Unidos, Chile, México e Oriente Médio, destinos tradicionais de Austrália, Argentina, Uruguai e Paraguai, países que também enfrentam menor disponibilidade de gado. A competitividade brasileira permanece favorecida pelos preços. No fim de setembro, a carne bovina brasileira foi exportada a uma média de US$ 6.300,00 por tonelada, ante US$ 7.400,00 por tonelada no Paraguai. O ambiente internacional também apresenta sinais de abertura de novos mercados. A Argentina foi novamente habilitada a exportar carne bovina para o Japão após mais de 20 anos de restrição decorrente de um bloqueio relacionado à febre aftosa. A medida aumenta a expectativa de avanço da habilitação brasileira para o mercado japonês.
Paralelamente, o Uruguai informou que não deverá conseguir preencher o aumento de sua cota de carne bovina na China, abrindo possibilidade de revisão da distribuição das compras entre os fornecedores. Para o Brasil, a eventual retomada das compras chinesas a partir de novembro representa um fator de sustentação para as exportações no fim de 2026 e início de 2027, mas a maior diversificação dos destinos tende a permanecer. A StoneX projeta que o Brasil mantenha a liderança como maior exportador mundial de carne bovina, embora com crescimento mais moderado dos embarques em razão da oferta mais apertada de gado. A política comercial da China e a disputa por participação nos principais mercados internacionais permanecem entre os principais fatores de risco para as exportações brasileiras. Ao mesmo tempo, a menor disponibilidade de animais em diferentes países produtores restringe a oferta global e mantém o Brasil em posição competitiva, especialmente em mercados nos quais o diferencial de preço favorece a carne brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.