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09/Oct/2026

Boi: preço pode chegar a R$ 400 por arroba em 2026

O boi gordo pode alcançar R$ 400,00 por arroba ainda em 2026, antes do previsto, diante da redução da oferta de bovinos associada à retenção de fêmeas e à mudança do ciclo pecuário. O movimento ocorre em um mercado que já registra os maiores preços observados no Brasil, enquanto os contratos futuros passaram a incorporar níveis próximos ou superiores a R$ 390,00 por arroba para 2027. O contrato contínuo do boi gordo na B3 avançou mais de R$ 20,00 por arroba entre o fim de setembro e o início de outubro, refletindo a transição entre os contratos em vigor. O vencimento de setembro encerrou pouco acima de R$ 360 por arroba, enquanto o contrato de outubro já alcançava R$ 385,00 por arroba. Os contratos com vencimento em 2027 chegaram a ser negociados entre R$ 398,00 e R$ 399,00 por arroba. A expectativa de que a arroba atingisse R$ 400,00 inicialmente estava concentrada no primeiro trimestre de 2027, mas os níveis registrados no início de outubro aumentam a possibilidade de antecipação desse patamar.

O Outlook 2026 da StoneX registra contratos de 2027 próximos de R$ 390,00 por arroba, nível que já foi superado pelas máximas recentes, enquanto o mercado continua precificando menor disponibilidade de gado nos próximos meses. Pelo lado da oferta, os abates totais recuaram de forma significativa nos dois últimos meses com dados disponíveis, até agosto, com a redução liderada pelas fêmeas, segundo estimativa mensal da StoneX. O movimento é considerado o principal sinal de fortalecimento da retenção de ventres, com maior manutenção de fêmeas no rebanho para reprodução. Dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF) indicam que a participação das fêmeas no abate vem recuando há cinco meses. Em agosto, pouco mais de 1 milhão de fêmeas foram abatidas, o menor volume desde o fim de 2024. O movimento ocorre após um primeiro semestre de abates recordes, com mais de 21 milhões de cabeças, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a intensificação da retenção, uma parcela maior da demanda por animais terminados deverá ser atendida pelos machos.

Até dezembro, a oferta proveniente dos confinamentos será determinante para o equilíbrio do mercado. O primeiro trimestre de 2027 deverá mostrar se o descarte de fêmeas continuará em queda ou se a retenção será ampliada. Com a primavera e o início da estação de monta, a tendência é de fortalecimento da retenção, limitando a oferta futura de animais terminados. As condições das pastagens também serão determinantes. Como a estação de monta, período de reprodução do rebanho, ocorre neste momento, a qualidade das pastagens influencia diretamente as condições para a parição futura. A previsão aponta para chuvas mais favoráveis no Sul, Sudeste e Centro do Brasil e condições menos favoráveis no Norte, região que concentrou parcela relevante da expansão recente do rebanho. Pelo lado dos riscos, a China permanece como principal fator de pressão sobre as cotações. As duas maiores quedas do indicador do boi gordo na B3 em 2026, entre abril e maio e entre junho e julho, ocorreram quando o mercado precificava a aproximação do limite da cota chinesa.

Dessa forma, embora o cenário seja predominantemente altista, movimentos de ajuste técnico e períodos de queda permanecem possíveis. Argentina, Paraguai e Uruguai também registram redução dos abates em 2026, embora os três países, somados, possuam menos de 33% do rebanho brasileiro. A StoneX deve divulgar na semana seguinte a estimativa de abates de setembro, que permitirá avaliar se a trajetória de redução dos abates de fêmeas permaneceu durante o mês. O cenário para o mercado brasileiro permanece sustentado pela combinação de retenção de fêmeas, menor disponibilidade futura de animais terminados e perspectiva de continuidade do ciclo de valorização da arroba. A evolução da oferta dos confinamentos no curto prazo, a condição das pastagens e a política de importação da China serão determinantes para definir a velocidade e a extensão da alta dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.