ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

09/Oct/2026

Boi: rastreabilidade para acessar mercados de valor

As restrições anunciadas pela União Europeia para produtos de origem animal do Brasil, mantidas no caso da carne bovina, aumentam a pressão sobre a cadeia por sistemas de rastreabilidade e podem estimular outros importadores a adotar exigências semelhantes. A carne bovina não conseguiu reverter as restrições na mesma velocidade observada no setor de frango, em razão da maior complexidade da cadeia e da necessidade de acompanhamento mais prolongado da origem e do histórico sanitário dos animais. O Outlook 2026 da StoneX relaciona as medidas europeias às exigências de rastreabilidade e ao uso de antimicrobianos. O anúncio das restrições acelerou os embarques antes da implementação das medidas e reforçou a importância de sistemas capazes de comprovar a origem, o manejo e o histórico sanitário do gado.

A adaptação da cadeia bovina tende a exigir mais tempo por envolver produtores, transportadores, frigoríficos e órgãos de fiscalização. A ampliação das exigências pode elevar os custos de produção e controle, reduzir a flexibilidade comercial e dificultar o acesso de fornecedores que ainda não possuem capacidade de rastrear integralmente as diferentes etapas da produção. A tendência é de aumento das exigências nos mercados de maior valor agregado, tornando rastreabilidade, controle sanitário e comprovação da origem elementos cada vez mais relevantes para a competitividade internacional. O Brasil deve manter a posição de maior exportador mundial de carne bovina, mas o crescimento dos embarques tende a desacelerar diante da oferta mais apertada de gado e da concorrência de outros países fornecedores.

A Argentina voltou a ser habilitada a exportar carne bovina para o Japão após mais de 20 anos de restrição relacionada a uma crise de febre aftosa. A retomada amplia a expectativa de que o Brasil também avance nas negociações para habilitação de suas exportações ao mercado japonês, processo aguardado há anos e considerado relevante para a diversificação dos destinos da carne bovina brasileira. A política comercial da China permanece como outro fator de incerteza para o mercado global. O Uruguai já indicou dificuldade para preencher o aumento de sua cota de carne bovina no mercado chinês, o que pode abrir espaço para uma revisão da distribuição das compras entre fornecedores. O Brasil mantém vantagem de preço em relação ao Paraguai, mas enfrenta concorrência crescente de Argentina, Uruguai e Austrália. No mercado doméstico, a demanda funciona como um amortecedor para a oferta.

Mais da metade da carne bovina produzida no Brasil é consumida internamente, de modo que renda, preços e a competição com frango, carne suína e ovos serão determinantes para a capacidade de absorção da produção nos próximos meses. Outro fator que pode influenciar o consumo de proteínas é a popularização dos medicamentos da classe GLP-1. A mudança no comportamento alimentar associada a esses medicamentos tende a ampliar a busca por alimentos com maior densidade nutricional e maior concentração de proteínas. Há possibilidade de redução do consumo de alimentos ultraprocessados e potenciais efeitos positivos sobre o consumo de carnes e lácteos. Nesse ambiente, a cadeia bovina brasileira deverá lidar simultaneamente com uma oferta mais ajustada de animais, maior concorrência internacional e exigências crescentes de rastreabilidade e controle sanitário. A capacidade de atender aos requisitos dos mercados de maior valor poderá se tornar um diferencial adicional para preservar o acesso externo e ampliar a diversificação dos destinos da carne brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.