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27/Oct/2026

Boi: dólar e China devem definir preços após eleição

O comportamento do dólar após a eleição presidencial e o ritmo das compras chinesas devem ser determinantes para a formação dos preços do boi gordo no Brasil nas próximas semanas. A oferta restrita de bovinos tende a sustentar as cotações, mas persistem incertezas sobre a demanda externa e a intensidade da retomada das importações pela China. É necessário aguardar a assimilação do resultado eleitoral e a evolução do apetite de compra do principal destino da carne bovina brasileira. A valorização do dólar pode ampliar a competitividade da carne brasileira no mercado internacional e abrir espaço para preços mais elevados em Reais, embora o ganho cambial não deva ser integralmente transferido à arroba.

Na abertura do mercado após a eleição, a moeda norte-americana se direcionou para R$ 5,60. Considerando um valor médio de exportação de US$ 80,00 por arroba, a conversão para Reais varia significativamente conforme a cotação do dólar, ampliando o intervalo potencial de preços. Entretanto, a trajetória cambial ainda é incerta, e uma eventual reversão do movimento inicial pode limitar os efeitos sobre a pecuária. A perspectiva de valorização do boi gordo também encontra sustentação na disponibilidade restrita de animais para abate. Esse quadro favorece a pressão de alta sobre as cotações, mas o movimento não deve ocorrer de maneira linear, diante das dúvidas sobre a demanda chinesa e da concorrência com outras fontes de proteína animal.

A combinação entre oferta limitada e variáveis externas ainda imprevisíveis torna o mercado mais suscetível a oscilações nas próximas semanas. A retomada das compras chinesas, até o momento, não resultou na recuperação mais expressiva dos preços da carne bovina brasileira. Durante a feira Sial Paris, realizada em outubro, os valores negociados para o dianteiro bovino brasileiro, que chegaram a US$ 7,20 a US$ 7,30 por quilo no início das negociações, recuaram para a faixa de US$ 6,70 a US$ 6,80 por quilo. O movimento indica que a demanda chinesa ainda não acompanha, na mesma intensidade, a necessidade brasileira de ampliar as vendas ao mercado asiático.

Parte das compras da China foi antecipada no primeiro semestre, enquanto a interrupção das exportações brasileiras ao país por três meses contribuiu para a formação de estoques no mercado chinês. Esse contexto pode reduzir a urgência de novas aquisições e aumentar o poder de negociação dos compradores. Ainda não há clareza se uma nova rodada mais expressiva de compras chinesas ocorrerá até o fim de 2026 ou ficará para janeiro de 2027. A capacidade da China de administrar o ritmo das importações e negociar preços deve continuar influenciando a formação das cotações da carne brasileira e, consequentemente, do boi gordo no mercado interno.

No mercado doméstico, uma eventual valorização mais intensa do boi gordo pode pressionar as margens da indústria frigorífica e elevar os preços da carne bovina ao consumidor. A sazonalidade de consumo do fim do ano, favorecida pelo pagamento do 13º salário, tende a sustentar a demanda, mas a possibilidade de repasse dos custos dependerá da evolução das cotações e da capacidade de absorção do mercado. Assim, o comportamento do dólar, a retomada das compras chinesas e a disponibilidade de animais serão fatores centrais para definir a trajetória dos preços nas próximas semanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.