27/Oct/2026
Segundo o Bradesco, os bloqueios às importações de carne de frango brasileira em decorrência de casos da Doença de Newcastle em Santa Catarina podem gerar perdas de US$ 250 milhões até o fim do ano, caso as restrições permaneçam em vigor. As medidas comerciais adotadas pelos parceiros do Brasil atingem, em conjunto, 9,8% das exportações nacionais da proteína. A confirmação de um segundo foco da doença no Estado pode levar outros mercados a ampliar as restrições nos próximos dias. Entretanto, os impactos negativos sobre o setor tendem a ser limitados inicialmente, uma vez que a maior parte dos bloqueios deve permanecer concentrada nas regiões afetadas e ter duração restrita. A experiência acumulada com episódios sanitários anteriores contribuiu para o desenvolvimento de protocolos mais rigorosos e para o fortalecimento das negociações bilaterais, favorecendo a regionalização das suspensões em vez de embargos prolongados a todo o território brasileiro.
No mercado interno, os efeitos também devem ser limitados, embora a maior disponibilidade de produto possa pressionar as cotações no curto prazo. O Bradesco projeta aumento da oferta doméstica de carne de frango em novembro, à medida que eventuais dificuldades de escoamento para o exterior direcionem volumes adicionais ao mercado brasileiro. Em dezembro, os preços poderão se recuperar, considerando a capacidade da indústria de ajustar rapidamente o nível de produção. O cenário, contudo, depende da evolução dos focos sanitários e da reação dos parceiros comerciais. Novos registros que provoquem a ampliação dos bloqueios em Santa Catarina, em outros Estados ou em todo o País, assim como a adesão de mercados relevantes às restrições, poderão elevar as perdas estimadas para o setor.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, em 19 de outubro, um caso de Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). No fim de semana seguinte, um segundo foco foi confirmado em Coronel Freitas (SC), dentro da região de bloqueio já delimitada. Os órgãos responsáveis acionaram os protocolos sanitários e adotam medidas para conter a doença e evitar novos surtos. Embora o vírus seja altamente patogênico para aves, a Doença de Newcastle não representa risco à saúde humana pelo consumo de carne de frango. Para o mercado brasileiro, a evolução das medidas sanitárias e a manutenção da regionalização dos embargos serão determinantes para limitar os impactos sobre as exportações, a oferta doméstica e os preços da proteína até o fim do ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.