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28/Oct/2026

Suíno: avanços em bem-estar animal no Brasil

De acordo com a sétima edição do Observatório Suíno, elaborado pela organização Alianima, que monitora as políticas de bem-estar animal de empresas fornecedoras e compradoras de carne suína, apenas 45,1% das matrizes utilizadas na reprodução da suinocultura brasileira são mantidas em baias coletivas durante a gestação, avanço de 0,2% em relação a 2025. O levantamento aponta os custos de adaptação das granjas como um dos principais entraves à ampliação desse sistema de alojamento. As baias coletivas permitem que as porcas gestantes permaneçam em grupos, em vez de serem confinadas individualmente durante esse período. A transição exige investimentos na adequação das instalações, mudanças no manejo dos animais e planejamento operacional por parte dos produtores. Entre os fornecedores consultados, 80% apontaram dificuldades de financiamento como obstáculo à implementação das mudanças.

A precificação do produto final foi mencionada por 70% das empresas, enquanto 60% citaram o planejamento das instalações. Entre as empresas participantes, JBS e Ecofrigo informaram que 100% de suas matrizes já estão alojadas em baias coletivas durante a gestação. A Pamplona declarou ter atingido 97%. Alegra Foods e Alibem registraram os maiores avanços em relação ao ano anterior, de 12% cada. O levantamento ouviu 10 dos 11 fornecedores convidados, permitindo acompanhar o estágio de implementação das políticas de bem-estar animal no setor. Em sentido contrário, Aurora Coop, Frimesa e MBRF estabeleceram 2026 como prazo para concluir a transição para baias coletivas. A Alianima, porém, considera insuficiente o ritmo de avanço dessas companhias para o cumprimento das metas no período previsto. O resultado evidencia a distância entre os compromissos assumidos pelas empresas e a implementação efetiva das mudanças nas unidades de produção.

O estudo também avaliou outras práticas de bem-estar animal, incluindo o uso de antibióticos como promotores de crescimento. Entre os fornecedores consultados, 60% já eliminaram essa prática, que consiste na administração de substâncias para acelerar o ganho de peso dos animais. Outros 20% pretendem abandonar o uso, enquanto os 20% restantes não têm planos de banimento. A Alegra Foods e a Aurora Coop são apontadas como as únicas empresas que mantêm o uso desses antibióticos sem intenção declarada de eliminá-lo. A Frimesa adiou de 2027 para 2028 o prazo para encerrar a prática. Já a Pif Paf passou a declarar intenção de banimento, embora ainda não tenha estabelecido uma data para a implementação da medida. Outro aspecto analisado foi o espaço disponível para as porcas durante a maternidade. Embora 60% dos fornecedores tenham planos de ampliar as áreas destinadas aos animais nesse período, as iniciativas estão restritas à implantação de novas instalações, sem previsão de mudanças nas estruturas existentes.

O enriquecimento ambiental também permanece limitado. Segundo o levantamento, 70% das empresas não oferecem recursos como materiais que permitam aos suínos expressar comportamentos naturais, incluindo atividades relacionadas à construção do ninho. A adoção dessas medidas integra as discussões sobre melhoria das condições de criação e atendimento às exigências de bem-estar animal. Em relação ao corte da cauda dos suínos, 80% dos fornecedores não pretendem abandonar o procedimento. A JBS, por sua vez, passou a integrar o grupo de empresas que declaram intenção de eliminá-lo, ao lado da MBRF. Os resultados do Observatório Suíno indicam que, apesar dos avanços pontuais em algumas empresas, a adoção de práticas de bem-estar animal permanece desigual, com restrições financeiras, estruturais e operacionais que condicionam a velocidade de implementação das mudanças na cadeia produtiva. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.