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29/Oct/2026

Boi: retomada de vendas à China pode sustentar preço

Os contratos futuros de boi gordo negociados na B3 superaram R$ 400,00 por arroba no fechamento do dia 26 de outubro, impulsionados pela perspectiva de retomada dos embarques de carne bovina brasileira à China a partir de novembro. Segundo a Delara Agronegócios, a recuperação das exportações após a desaceleração registrada em setembro tende a sustentar as cotações, em um cenário de oferta restrita associado ao ciclo pecuário. Mesmo com a redução do volume destinado ao mercado chinês, a combinação entre disponibilidade limitada de animais e demanda externa deve restringir o espaço para quedas expressivas da arroba. A China estabeleceu cotas para a importação de carne bovina de seus principais fornecedores, totalizando aproximadamente 2,5 milhões de toneladas. Desse volume, 1,106 milhão de toneladas foram destinadas ao Brasil em 2026, abaixo das 1,6 milhão de toneladas exportadas pelo País ao mercado chinês em 2025.

Para 2027, a cota brasileira será de 1,128 milhão de toneladas. Apesar da limitação quantitativa, a expectativa de retomada dos embarques nos próximos meses pode favorecer a sustentação dos preços no mercado físico e nos contratos futuros. A programação logística das exportações deve contribuir para a recuperação dos volumes embarcados. Cargas enviadas neste momento poderão chegar à China a partir de dezembro, com reflexos nas estatísticas de comércio exterior dos próximos meses. A expectativa da Delara Agronegócios é de que os embarques de novembro superem os de setembro e que dezembro apresente desempenho ainda mais expressivo. O transporte marítimo de carne bovina é realizado principalmente em navios porta-contêineres, que operam em rotas regulares e exigem reserva antecipada de espaço. O percurso entre Brasil e China pode levar até 45 dias.

Dessa forma, cargas embarcadas no fim de outubro poderão chegar ao destino em meados de dezembro e permanecer armazenadas em terminais portuários antes do desembaraço aduaneiro e da nacionalização. Esse fluxo permitiria concentrar a chegada de contêineres no fim do ano e realizar a nacionalização das mercadorias a partir de janeiro, contribuindo para o preenchimento das cotas no início de 2027. A perspectiva de retomada dos embarques já influencia os preços futuros do boi gordo, especialmente nos vencimentos mais próximos. Apesar da valorização dos contratos de curto prazo, a curva de futuros apresenta inversão, com preços menores nos vencimentos mais distantes. O movimento reflete a expectativa de desaceleração das exportações quando a cota brasileira estiver próxima do preenchimento, entre o fim do primeiro trimestre e o início do segundo trimestre de 2027. Essa perspectiva indica que a sustentação atual das cotações poderá perder força à medida que o limite de exportação ao mercado chinês se aproximar.

No mercado doméstico, a arroba acima de R$ 400,00 amplia a pressão sobre as margens dos frigoríficos e pode favorecer novos reajustes da carne bovina no varejo até o fim do ano. Uma simulação aponta que os preços de atacado dos três principais componentes da carcaça bovina (dianteiro, ponta de agulha e traseiro) não seriam suficientes para cobrir o custo de aquisição de R$ 400,00 por arroba. O exercício considera preços de aproximadamente R$ 22,00 por quilo para o dianteiro, R$ 21,00 por quilo para a ponta de agulha e R$ 29,50 por quilo para o traseiro, resultando em um saldo negativo estimado em R$ 17,00 por arroba para o frigorífico. Nesse cenário, a recomposição das margens dependeria de uma redução do preço pago ao pecuarista ou do repasse dos custos ao longo da cadeia, com possível impacto sobre os preços finais da carne bovina. A evolução das exportações à China, da oferta de bovinos e da capacidade de absorção de reajustes pelo mercado interno deverá determinar a trajetória das cotações nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.