29/Oct/2026
Em São Paulo, a diferença média entre os preços das arrobas dos bovinos machos e fêmeas prontos para abate vem se ampliando em outubro, refletindo a oferta mais restrita de machos, enquanto a disponibilidade relativa de fêmeas está maior. Na parcial deste mês, a diferença entre os valores médios de machos e fêmeas no mercado está em R$ 33,98 por arroba, com vantagem para o preço dos machos. Esse é o maior diferencial para um mês de outubro desde 2022, quando havia sido de R$ 27,71 por arroba. Em uma perspectiva histórica, considerando-se o período de janeiro de 2015 até a parcial de outubro de 2026, a diferença média nacional entre os preços da arroba de machos e fêmeas é de R$ 14,55 por arroba.
Especificamente em 2024 e 2025, os diferenciais foram de R$ 17,94 por arroba e de R$ 17,90 por arroba. Em 2026, até a parcial de outubro, a média já alcança R$ 20,19 por arroba, indicando aumento da diferença entre as categorias em relação aos anos anteriores. Esse movimento está associado à valorização mais intensa de machos, sustentada pela oferta mais restrita dessa categoria desde o início de 2026. As fêmeas, por sua vez, apresentam disponibilidade relativa mais elevada e têm maior participação no abastecimento do mercado interno. Nesse contexto, frigoríficos ajustam os preços pagos às diferentes categorias de acordo com a necessidade de compra e a disponibilidade de bovinos para o preenchimento das escalas de abate.
A evolução dos preços em São Paulo evidencia esse deslocamento. Desde dezembro de 2025 até a parcial de outubro de 2026, a arroba do boi gordo acumula valorização nominal de 18,32%, enquanto o aumento nos preços das fêmeas é de 13,38% no mesmo período. Outro fator importante para o mercado pecuário em outubro é o comportamento das escalas de abate, que permanecem curtas em diversas regiões. Na parcial do mês, as médias das escalas recuaram em relação a setembro nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Pará. Os frigoríficos trabalham com programações que variam de 5 a 10 dias, cenário que evidencia a necessidade de recomposição das compras de bovinos para os próximos abates.
No Rio Grande do Sul e na Bahia, por outro lado, houve leve alongamento das escalas. No primeiro Estado, a média passou de 7,17 dias em setembro para 7,75 dias em outubro. Na Bahia, avançou de 6,58 para 6,82 dias. Apesar dos aumentos, a escala ainda segue apertada. Em outros Estados, as médias das escalas na parcial de outubro superam tanto as de setembro quanto as de agosto. Em Goiás, a média subiu para 8,22 dias neste mês, contra 7,28 em setembro e 7,97 em agosto. Em Mato Grosso do Sul, a média passou para 7,49 dias, frente a 6,64 em setembro e 7,35 em agosto. Em Tocantins, a evolução foi mais expressiva, com média de 9,03 dias, frente a 7,05 dias em setembro e 7,17 em agosto.
Em Rondônia, a média chegou a 7,99 dias, acima dos 6,64 dias em setembro e dos 7,41 dias de agosto. Minas Gerais também registrou avanço em relação a setembro, com a média passando de 9,04 para 10,38 dias. O resultado representa o retorno ao patamar observado em agosto. De modo geral, embora algumas regiões tenham registrado alongamento das escalas em outubro, a programação dos frigoríficos continua relativamente curta em boa parte dos Estados analisados. Esse cenário reforça a importância da disponibilidade de animais terminados para o ritmo das compras e a formação dos preços. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.