03/Set/2021
A descoberta de um caso suspeito de “vaca louca” em Minas Gerais, que está sendo apurado pelo Ministério da Agricultura, acendeu um alerta entre pecuaristas e frigoríficos do País. Na B3, os contratos futuros do boi gordo para outubro caíram 4,38% na quarta-feira (1°/09), a R$ 296,95 por arroba, e a baixa poderá se aprofundar enquanto não forem divulgados resultados da contraprova na vaca, que já foi abatido, pedida pela equipe técnica da Pasta. Sintomas da doença foram observados em uma vaca de idade avançada. A expectativa, assim, é que seja um caso classificado como “atípico”, normalmente sem riscos de gerar barreiras duradouras para as exportações de carne bovina do País. A última ocorrência do gênero no Brasil se deu em Mato Grosso, em 2019. O mal da “vaca louca” (encefalopatia espongiforme bovina – BSE) é uma doença neurodegenerativa que tem como agente patogênico uma forma de proteína chamada príon.
A doença pode ser transmitida ao homem e provocar a Doença de Creutzfeldt-Jakob, também neurodegenerativa. Em episódios atípicos, a doença é desenvolvida espontaneamente e o risco de contaminação é mínimo. Os casos graves são os que ocorrem por meio da ingestão de farinha de carne e ossos, proibidos na alimentação dos bovinos do Brasil. Nunca houve um caso clássico da doença da “vaca louca” no País. O Ministério da Agricultura precisa esclarecer a situação para tranquilizar o mercado. Grandes frigoríficos que vendem para a China interromperam a produção voltada ao país. Após o caso de 2019, os chineses suspenderam as compras por 15 dias, e isso pode se repetir agora, até que a investigação seja concluída. A China fora das compras, mesmo que temporariamente, pode ser prejudicial para o mercado.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), de janeiro a julho deste ano, China e Hong Kong responderam por mais de 60% da receita gerada pelas exportações brasileiras. Os resultados da contraprova deverão ser divulgados em alguns dias. O Ministério da Agricultura limitou-se a informar que adotou os procedimentos de investigação recomendados pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para casos como esse. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) afirmou que está atenta quanto ao caso suspeito de doença da "vaca louca" em Minas Gerais e recomendou serenidade aos criadores de gado, frigoríficos e todos os elos da cadeia da pecuária enquanto as investigações ainda estão sendo feitas e ainda não há qualquer confirmação. Fonte: Valor Econômico e Agência Estado. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.