16/Sep/2026
A queda dos preços do feijão ao produtor, que acumula recuo real de 34% nas últimas 13 semanas, pode começar a ser parcialmente transmitida ao consumidor nas próximas semanas ou meses. A redução no varejo, contudo, tende a ser significativamente menor que a observada na origem, em razão da composição dos custos ao longo da cadeia de comercialização. O mercado apresenta elevada sensibilidade às variações de oferta porque o feijão é cultivado em três safras, permitindo resposta mais rápida do plantio e da disponibilidade às mudanças de preços. No feijão-comum cores, a entrada da 3ª safra ampliou a oferta e pressionou as cotações, embora a retenção de lotes pelos vendedores esteja limitando a intensidade das quedas. No feijão-comum preto, a menor disponibilidade mantém os preços mais sustentados. Para a safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção total de 2,93 milhões de toneladas, queda de 0,7% ante os 2,95 milhões de toneladas estimados para a temporada atual.
A área cultivada deve crescer 0,2%, para 2,55 milhões de hectares, enquanto a produtividade média está projetada em queda de 0,9%. A menor oferta também deverá reduzir o excedente disponível para o mercado externo. As exportações brasileiras são estimadas em 310,5 mil toneladas em 2026/27, ante 460,4 mil toneladas na safra anterior, recuo de 32,6%. A retração dos embarques deverá ocorrer em função da menor disponibilidade excedente, interrompendo parte do avanço registrado nas últimas temporadas. O aumento da produção observado em ciclos anteriores reduziu a necessidade de importações, tradicionalmente concentradas na Argentina durante os períodos de entressafra, ao mesmo tempo em que permitiu ao Brasil ampliar as vendas externas. Para 2026/27, porém, as importações devem aumentar para 67,1 mil toneladas, ante 52,6 mil toneladas em 2025/26, como reflexo da menor oferta doméstica. Mesmo com uma produção relativamente próxima da temporada atual, o balanço permanece sensível a pequenas alterações na oferta.
A Conab projeta estoque final de apenas 135,5 mil toneladas em 2026/27. A menor capacidade de armazenamento prolongado do feijão e o baixo nível dos estoques em relação ao consumo aumentam a possibilidade de movimentos acentuados de preços diante de alterações na produtividade, qualidade ou disponibilidade do produto. O clima representa um dos principais fatores de risco para o próximo ciclo. A atuação do El Niño pode provocar chuvas irregulares no Norte e Nordeste e excesso de umidade na Região Sul, com impactos potenciais sobre rendimento e qualidade. Esse quadro mantém elevada a volatilidade das cotações ao longo de 2026/27, mesmo em um cenário de preços ao produtor atualmente mais baixos. A combinação entre queda expressiva dos preços na origem, entrada de maior oferta em determinados períodos e estoques reduzidos tende a produzir efeitos distintos ao longo da cadeia. No curto prazo, a pressão sobre as cotações pode favorecer alguma redução dos preços ao consumidor, mas a transmissão deverá ser limitada. Ao longo da temporada, as condições climáticas e o baixo nível dos estoques serão determinantes para a trajetória dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.