Fortes altas dos preços do feijão carioca em maio

Nessa segunda quinzena de maio, o mercado de feijão passa por um período de forte especulação, com as cotações apresentando acentuadas oscilações diárias, com altas expressivas de preços. No mercado disponível de São Paulo, há pouca entrada de mercadoria e, boa parte, com umidade acima de 20%, tendo que ir para o secador. O clima frio e chuvoso verificado no Sul do país dificultou a colheita em várias regiões produtoras, contribuindo para uma forte elevação dos preços. A escassez de produto de melhor qualidade no mercado (extra/novo), a possibilidade de o produtor reter em estoque parcela da produção e, principalmente, as incertezas do fator clima, devem manter o mercado aquecido, inibindo a expectativa de recuo nos preços, com a entrada mais expressiva do produto colhido na 2ª safra.

Diante desse quadro, os compradores estão mais precavidos, adquirindo pequenos lotes ou buscando algum diferencial de preço nas regiões de produção. A preferência da demanda continuou pelo produto extra ou similar, todavia, muitos compradores sem alternativas devido à cotação elevada do produto em questão, acabaram optando por tipos inferiores, em vista das dificuldades encontradas no giro das mercadorias de maior valor. O abastecimento está sendo efetuado com a produção oriunda da 2ª safra e um pequeno estoque remanescente da 1ª safra. Posteriormente, o mercado vai contar, apenas, com a 3ª safra, cuja área irrigada corresponde a uma produção de 430.000 toneladas, e ainda, as safras cultivadas em regime de sequeiro no nordeste da Bahia, Alagoas e Sergipe. No estado do Paraná, 70% da área foram colhidos. No Sul do País, a mudança do clima no início de maio, com baixas temperaturas está prejudicando parte das lavouras mais tardias.

Nas regiões produtoras, os preços também apresentaram uma forte evolução. Dependendo da qualidade da mercadoria, os preços recebidos pelos produtores para os produtos recém-colhidos oscilaram entre R$ 230,00 e R$ 270,00 por saca de 60 Kg. No mercado de feijão preto, no atacado em São Paulo, os preços apresentaram uma alta puxada pela valorização do carioca. Para o feijão preto extra, as cotações estão entre R$ 200,00 e R$ 220,00 por saca de 60 Kg e para o comercial, entre R$ 170,00 e R$ 190,00 por saca de 60 Kg. Estão previstas as primeiras ofertas do produto argentino. A safra que está sendo colhida naquele país, além de superior a do ano anterior, apresenta boa qualidade. Mesmo em pleno pico da colheita neste mês de maio, no Sul do país, principal região produtora, e dada a entrada da oferta da safra da Argentina, a tendência é de que o produto continue valorizado em função da expressiva alta do dólar.


Voltar

Copyright 2017 Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica
Todos os direitos reservados.