13/Feb/2026
O mercado internacional de cacau atravessa um ciclo de forte correção após o pico histórico observado em 2024. Na Bolsa de Nova York, a cotação da amêndoa recuou 65,6% em menos de dois anos, saindo de US$ 10.945,62 por tonelada em 28 de maio de 2024 para US$ 3.761,26 em 10 de fevereiro de 2026.
A queda reflete a transição de um cenário de déficit global para um ambiente de reequilíbrio, marcado por recomposição de estoques e retração da demanda. Países africanos como Costa do Marfim e Gana, principais produtores mundiais, registram acúmulo de estoques, enquanto o consumo internacional mostra desaceleração, pressionando as cotações.
Até meados de 2025, o mercado operava sob forte escassez de oferta diante de demanda robusta. Em 2026, o quadro se inverteu: maior disponibilidade de produto combinada com compras mais moderadas no mercado internacional contribuiu para o ajuste acentuado dos preços.
Impactos no Brasil
No Brasil, o recuo das cotações externas tem sido agravado por deságios aplicados ao produto nacional, comprimindo ainda mais a remuneração ao produtor. A combinação de preços internacionais mais baixos com descontos internos reduz significativamente as margens, em um contexto de custos de produção elevados.
O ambiente de preços pressionados tem gerado mobilização do setor produtivo. Entidades representativas, especialmente na Bahia, manifestaram preocupação com o volume de importações de cacau, sobretudo da África, defendendo revisão da política de entrada do produto no País, que atualmente ocorre sem incidência de impostos.
A avaliação do setor é que a manutenção de importações em um momento de ampla oferta global intensifica a pressão sobre os preços domésticos, ampliando o desequilíbrio entre custo de produção e receita obtida pelo produtor.
Mudança estrutural de ciclo
O movimento observado no cacau reforça a natureza cíclica das commodities agrícolas. Após período de forte valorização impulsionado por escassez, o mercado entra em fase de ajuste com recomposição de oferta e normalização da demanda.
No curto prazo, o viés permanece condicionado ao comportamento dos estoques africanos, ao ritmo de consumo global de derivados de cacau e às políticas comerciais adotadas por países importadores. Para o produtor brasileiro, o principal desafio passa a ser preservar competitividade e margem em um ambiente de preços significativamente inferiores aos registrados no pico recente.