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23/Feb/2026

Cacau: preço global recua a níveis pré-crise de 2023

Segundo a StoneX, as cotações internacionais do cacau recuaram para níveis reais equivalentes aos registrados antes da crise do setor de 2023. O movimento de correção de preços reduz o prêmio das negociações globais e possibilita que as indústrias planejem a estrutura de custos para 2026 com maior previsibilidade. A análise deflacionada pelo índice da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indica que os valores atuais retornaram à faixa histórica de referência, situando-se abaixo dos picos observados em 2002, 2010 e 2015. O principal vetor da queda veio de Gana. O país anunciou mudanças no mecanismo de financiamento das compras de cacau e reduziu o preço mínimo ao produtor.

O novo modelo prevê pagamento equivalente a 70% do valor FOB ao produtor e a emissão de títulos domésticos para financiar o fluxo comercial. Para o mercado, a combinação das medidas tende a facilitar o escoamento da safra, reduzindo a retenção e diminuindo parte dos riscos envolvidos na originação no curto prazo, fatores relevantes para indústrias dependentes de regularidade no abastecimento. A indústria deve aproveitar o realinhamento das cotações frente a possíveis distorções climáticas ou políticas e utilizar instrumentos de proteção financeira para travar custos de longo prazo. Na Costa do Marfim, o preço mínimo foi mantido em CFA 2.800 por Kg até o fim de março. O descompasso entre as políticas de Gana e da Costa do Marfim pode estimular o fluxo informal de cacau entre as fronteiras, afetando o cronograma de embarques. A moagem na Costa do Marfim caiu 2,1% em janeiro, sinalizando a sensibilidade do consumo aos patamares de preço e a absorção de parte da pressão anterior pela demanda.

Quanto ao clima, as condições atuais na África Ocidental favorecem o desenvolvimento da safra intermediária, com precipitações dentro da média histórica. Contudo, a transição do fenômeno La Niña para a neutralidade climática pode elevar as temperaturas na região produtora nos próximos meses. Esse fator mantém o risco de oferta para o segundo semestre sob monitoramento das indústrias que dependem de estabilidade no suprimento físico de amêndoas. Fora do eixo africano, o Equador registrou queda de 36,8% nas exportações de janeiro em comparação anual, somando 34.519 toneladas. Apesar da retração mensal, a consultoria afirma que o acumulado da temporada equatoriana permanece superior ao ciclo anterior. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.