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16/Mar/2026

Cacau: queda no preço inibe investimentos no Brasil

A forte queda nas cotações internacionais do cacau tem provocado revisão nos planos de expansão da cultura no Brasil. Após alcançar níveis recordes em 2024, quando os preços superaram US$ 11.000,00 por tonelada, a commodity passou por correção significativa e atualmente é negociada em torno de US$ 3.000,00 por tonelada, retração próxima de 70%. O movimento levou produtores, investidores e empresas do setor a reavaliar projetos de expansão que vinham sendo estruturados nos últimos anos, sobretudo em regiões do Nordeste brasileiro. Avaliações do mercado indicam que cerca de metade dos projetos de plantio em larga escala previstos para o País pode ser cancelada ou adiada. Essas iniciativas poderiam adicionar aproximadamente 75 mil hectares de novas áreas cultivadas, volume com potencial para responder por cerca de 5% da demanda global de cacau.

Nos últimos anos, o Brasil vinha sendo apontado como alternativa estratégica para diversificar a oferta mundial da commodity, atualmente concentrada na África Ocidental, especialmente na Costa do Marfim e em Gana. A queda nas cotações internacionais alterou as condições econômicas para novos investimentos. O nível atual de preços é considerado insuficiente para compensar os elevados custos de implantação de lavouras modernas, que envolvem investimentos em irrigação, mecanização e infraestrutura de pós-colheita. Grandes projetos agrícolas voltados à produção intensiva também estão sendo reavaliados. Avaliações do setor indicam que, caso as cotações permaneçam abaixo de US$ 5.000,00 por tonelada, parcela relevante dos projetos planejados poderá se tornar economicamente inviável.

Empreendimentos estruturados para cultivo em larga escala, incluindo iniciativas de investimento estrangeiro e projetos agroflorestais privados, já passaram por revisões ou suspensões temporárias enquanto o mercado avalia a evolução das cotações internacionais. O cenário global do cacau mudou rapidamente após o período de forte valorização registrado entre 2023 e 2024. Naquele momento, problemas climáticos, doenças nas lavouras e impactos de atividades como mineração ilegal reduziram significativamente a produção na África Ocidental, provocando um choque de oferta e impulsionando os preços a patamares históricos. Nos últimos meses, porém, a produção na região começou a apresentar recuperação, enquanto outros países produtores ampliaram a oferta.

O Equador, por exemplo, elevou seus volumes de exportação, contribuindo para o reequilíbrio do mercado. Paralelamente, a indústria global de chocolate passou a enfrentar desaceleração da demanda, reflexo da elevação expressiva dos preços ao consumidor. Fabricantes também iniciaram ajustes em formulações de produtos, reduzindo o teor de derivados de cacau ou substituindo parte da manteiga de cacau por outros ingredientes, movimento que diminui a demanda por amêndoas. No Brasil, o ambiente de preços mais baixos também gerou reações entre produtores. Recentemente, agricultores realizaram protestos na Bahia contra a entrada de cacau importado da África, bloqueando uma rodovia que dá acesso ao porto de Ilhéus. Após as manifestações, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a suspensão temporária de importações de cacau provenientes da Costa do Marfim.

O episódio evidenciou as dificuldades enfrentadas por produtores nacionais em um cenário de custos elevados e margens pressionadas. Apesar da revisão de projetos de grande escala, especialistas avaliam que o Brasil mantém potencial para ampliar a produção de cacau no longo prazo. A expansão, no entanto, tende a ocorrer de forma mais gradual, com maior presença de sistemas agroflorestais e projetos de menor escala. Nesse contexto, parte dos investimentos originalmente planejados para centenas de hectares deve começar com áreas menores, entre 80 e 100 hectares, permitindo ajustes técnicos e operacionais antes de uma expansão mais ampla. Mesmo com a desaceleração do ritmo de novos plantios, iniciativas em andamento continuam avançando, incluindo projetos conduzidos por cooperativas, empresas privadas e programas de reflorestamento com cacau. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.