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10/Jun/2026

Cacau: clima e logística sustentam preços globais

Os contratos futuros de cacau encerraram o pregão com valorização nas bolsas internacionais, sustentados pelo aumento das preocupações com a oferta na África Ocidental e por fatores técnicos relacionados ao posicionamento dos investidores. Na ICE de Nova York, o contrato com vencimento em julho avançou 69 pontos, ou 1,83%, enquanto o contrato equivalente negociado na ICE de Londres registrou alta de 58 pontos, correspondente a 2%. O movimento de recuperação dos preços ganhou força após relatos de produtores da Costa do Marfim sobre danos causados por ventos intensos e chuvas volumosas nas áreas produtoras. As condições climáticas adversas afetaram árvores de cacau e provocaram perdas de brotações florais, aumentando as preocupações com o potencial produtivo da próxima safra.

O avanço das cotações também foi influenciado pela movimentação dos fundos de investimento. Dados do relatório Compromisso dos Traders (CFTC) mostraram ampliação das posições líquidas vendidas em Nova York na semana encerrada em 2 de junho. Os gestores elevaram suas apostas baixistas em 2.963 contratos, alcançando saldo líquido vendido de 21.111 lotes, o maior volume em mais de três anos. Parte do movimento recente de valorização é atribuída à recomposição dessas posições. No médio prazo, o mercado segue atento às condições climáticas na África Ocidental, principal região produtora de cacau do mundo. Modelos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam probabilidade de 82% para o desenvolvimento do fenômeno El Niño nos próximos meses e de 67% para a ocorrência de um episódio de forte intensidade.

Historicamente, esse padrão climático está associado a períodos de estiagem e temperaturas elevadas na região, com potencial de reduzir a produtividade das lavouras. As perspectivas mais restritivas para a oferta levaram consultorias e instituições a revisarem suas estimativas globais. A StoneX reduziu sua projeção de superávit mundial de cacau para a safra 2026/27 de 267 mil toneladas para 149 mil toneladas. Para o ciclo 2025/26, a previsão foi ajustada de 287 mil toneladas para 247 mil toneladas. O Rabobank também revisou para baixo sua estimativa de superávit global em 2025/26, passando a projetar excedente de 250 mil toneladas. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) reduziu sua previsão de superávit para a safra 2024/25 de 75 mil toneladas para 48 mil toneladas, o que representaria o primeiro saldo positivo global após quatro anos consecutivos de déficit. Avaliações preliminares das lavouras para a temporada 2026/27 indicam formação de frutos abaixo da média histórica, sinalizando risco de uma colheita principal mais fraca a partir de outubro.

Além dos fatores climáticos, gargalos logísticos e geopolíticos continuam oferecendo suporte às cotações internacionais. O prolongamento das restrições no Estreito de Ormuz tem impactado o fornecimento global de fertilizantes e contribuído para o aumento dos custos de transporte marítimo, seguros e combustíveis, elevando os custos operacionais ao longo da cadeia produtiva. Na África, a oferta também enfrenta limitações adicionais. As exportações da Nigéria, quinta maior produtora mundial de cacau, recuaram 20% em abril. A associação local do setor projeta queda de 11% na produção da safra 2025/26, para 305 mil toneladas. A combinação entre riscos climáticos, revisões para baixo dos excedentes globais, restrições logísticas e redução da oferta em importantes países produtores mantém o mercado atento à possibilidade de maior aperto nos estoques e sustenta a valorização dos preços internacionais do cacau. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.