ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

30/Jul/2026

Cacau: El Niño amplia riscos para oferta mundial

A StoneX elevou a estimativa de superávit global de cacau para a safra 2025/26 (outubro a setembro) de 247 mil para 422 mil toneladas, refletindo a revisão positiva da produção na Costa do Marfim e o desempenho mais favorável da safra brasileira. Com isso, a consultoria passou a projetar produção mundial de 5,136 milhões de toneladas, indicando uma recomposição mais acelerada dos estoques globais no curto prazo. Para a safra 2026/27, entretanto, a StoneX reduziu de forma significativa a projeção de excedente mundial, de 149 mil para apenas 25 mil toneladas. A revisão decorre da elevação dos riscos climáticos associados à possível ocorrência de um episódio de El Niño de forte intensidade, além da continuidade das chuvas excessivas no Oeste Africano, principal região produtora de cacau.

Segundo dados do Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe probabilidade de 81% de ocorrência de um El Niño classificado como muito forte entre outubro e dezembro de 2026 e de 97% de persistência do fenômeno até o início de 2027. Historicamente, eventos de El Niño reduzem a produção mundial de cacau em média 1,7%. A revisão positiva da oferta para 2025/26 foi sustentada principalmente pela atualização das estatísticas oficiais da Costa do Marfim, cuja produção passou a ser estimada em 2 milhões de toneladas. Para Gana, a expectativa permanece em 650 mil toneladas. Para 2026/27, o cenário torna-se mais restritivo no Oeste Africano.

A produção da Costa do Marfim foi reduzida para 1,775 milhão de toneladas, retração de 11,3%, enquanto a estimativa para Gana caiu para 585 mil toneladas, redução de 10%. Segundo a consultoria, o excesso de chuvas registrado em junho provocou encharcamento dos solos, aumento da incidência de doenças fúngicas e redução do número de frutos por planta. Em consequência, o Conselho do Café e Cacau (CCC) da Costa do Marfim suspendeu temporariamente novas vendas antecipadas da safra 2026/27. Na América do Sul, está mantida a perspectiva favorável para os principais produtores secundários. A produção do Equador deverá permanecer em 600 mil toneladas tanto em 2025/26 quanto em 2026/27, enquanto a do Peru deverá aumentar de 195 mil para 205 mil toneladas na próxima temporada.

Para o Brasil, foi mantida a projeção de produção de 215 mil toneladas na safra 2025/26, volume 18,9% superior às 181 mil toneladas estimadas para 2024/25. O avanço é atribuído às condições climáticas favoráveis nas regiões produtoras e ao aumento dos investimentos no manejo das lavouras, impulsionados pelo ciclo prolongado de preços elevados observado desde 2024. Para a safra 2026/27, a produção está projetada entre 210 mil e 215 mil toneladas. Embora o cultivo brasileiro permaneça suscetível aos impactos do El Niño, especialmente na Bahia, principal Estado produtor, parte dos efeitos climáticos poderá ser compensada pela expansão da área cultivada e pela maior adoção de tecnologias de produção pelos cacauicultores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.