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29/Oct/2026

Cacau: El Niño reduzirá oferta global em 2026/2027

O balanço global de cacau para a safra 2026/27, de outubro a setembro, passou a projetar déficit de 64 mil toneladas, interrompendo o processo de recomposição dos estoques mundiais observado no ciclo anterior. Segundo a StoneX, a oferta mundial estimada foi revisada para baixo em 90 mil toneladas em relação à projeção de julho, uma redução de 9,6%, em decorrência dos efeitos severos do fenômeno El Niño sobre os principais países produtores. As condições climáticas adversas afetam as origens de maneira distinta. Na Costa do Marfim, as precipitações abaixo da média e o ritmo lento da colheita prejudicam a oferta. Na Indonésia, a seca severa compromete as lavouras, enquanto o Equador enfrenta excesso de umidade.

Embora o déficit projetado para 2026/27 seja relativamente pequeno em comparação com os resultados registrados entre as safras 2021/22 e 2023/24, o mercado internacional inicia a nova temporada com menor margem de segurança. Nesse cenário, os preços permanecem sensíveis a eventuais deteriorações das perspectivas de produção na África Ocidental, enquanto a demanda mundial apresenta recuperação gradual. Para a safra 2025/26, encerrada em setembro, a StoneX elevou a estimativa de superávit global para 494 mil toneladas, na quinta e última revisão do balanço. O resultado consolida o ciclo como o de maior recomposição da oferta desde 2020/21. O ajuste refletiu a revisão da produção da Costa do Marfim para 2,05 milhões de toneladas, os embarques recordes do Equador, uma das melhores colheitas da história do Brasil e a produção de Gana próxima de 700 mil toneladas.

Camarões foi uma exceção entre as principais origens, com a produção prejudicada pelo calor e pelos ventos Harmatã. Pelo lado da demanda, a estimativa de consumo global foi ajustada para 4,69 milhões de toneladas, após dados acima do esperado para a moagem no terceiro trimestre. Parte desse avanço, contudo, está associada à recomposição de estoques industriais e ao processamento nos próprios países produtores, não representando necessariamente um aumento proporcional do consumo de chocolate. A passagem de um superávit expressivo em 2025/26 para um déficit projetado em 2026/27 sinaliza uma mudança no balanço mundial do cacau. A combinação de menor oferta estimada, riscos climáticos nas principais regiões produtoras e recuperação gradual da demanda reduz a capacidade de absorção de novos choques de produção e mantém o mercado vulnerável a revisões negativas nas perspectivas de safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.