11/Nov/2025
O menor volume de fertilizantes entregues pela Fertilizantes Heringer no terceiro trimestre e no acumulado deste ano reflete o movimento de postergação de compras pelos produtores rurais. A redução de 16% no volume total de entregas no trimestre ocorreu muito em vista da postergação dos principais mercados em que a companhia atua, principalmente com ênfase no mercado de café. A postergação na tomada de decisão e na compra do produtor rural deve-se em relação a preços e ao cenário atual, de fato, postergando principalmente para o último trimestre do ano. O volume de fertilizantes entregues pela Heringer no terceiro trimestre deste ano caiu 16,4% em relação ao terceiro trimestre de 2024, de 696 mil toneladas para 582 mil toneladas, uma queda de 114 mil toneladas em um ano. As culturas do café, soja e milho representaram 79% de tudo que foi entregue pela Heringer no trimestre.
As entregas de fertilizantes para a cultura de soja aumentaram de 134 mil toneladas para 186 mil toneladas no período, enquanto o volume entregue para milho caiu de 70 mil toneladas para 62 mil toneladas na mesma base comparativa e o de café passou de 290 mil toneladas para 208 mil toneladas. Também houve redução na entrega de fertilizantes para cana-de-açúcar de 63 mil toneladas para 47 mil toneladas no terceiro trimestre deste ano. Nos nove meses acumulados do ano, as entregas de fertilizantes pela companhia recuaram 19,8%, para 1,209 milhão de toneladas. Houve principalmente postergação nas entregas para a cultura do café e sobretudo em fertilizantes fosfatados em vista do elevado custo da matéria-prima em 2025. O produtor rural está postergando sua tomada de decisão e compra, refletindo no menor volume até aqui.
No mix de portfólio, a redução de entregas está concentrada nos produtos convencionais ante os produtos premium, de maior rentabilidade. Nestes produtos, a companhia cresce tanto no trimestre quanto no acumulado do ano, enfatizando a maior rentabilidade para empresa e foco na estratégia. No mix de produtos entregues no terceiro trimestre deste ano, a Heringer entregou 443 mil toneladas de adubos convencionais contra 587 mil toneladas em igual período do ano passado. De fertilizantes premium, a companhia entregou 139 mil toneladas frente às 109 mil toneladas do terceiro trimestre de 2024. No acumulado do ano, a companhia entregou 981 mil toneladas de produtos convencionais (ante 1,290 milhão de toneladas de janeiro a setembro de 2024) e 228 mil toneladas de premium (contra 217 mil toneladas de igual período de 2024).
Em relação aos preços das matérias-primas, a Heringer observa eventual queda nos fertilizantes fosfatados, sinalização de retração nos preços dos adubos potássicos e cenário "oscilante" nas cotações de nitrogenados. Isso reforça ainda mais a postergação da tomada de decisão de compra do produtor rural. Para a safra 2025/2026, a companhia projeta cenário estável na demanda de fertilizantes para as lavouras brasileiras, com previsão de entrega de 46 milhões de toneladas ante 45,8 milhões de toneladas da temporada passada. Há um leve incremento na área plantada com produtividade estável na safra de grãos. O cenário é igual ou otimista para a safra que se inicia. A companhia também afirmou que apesar do Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ainda negativo no último trimestre e no acumulado do ano, os resultados mostram recuperação na comparação com igual período do ano passado com "melhora nas condições de mercado".
Apesar da queda no volume no terceiro trimestre deste ano e no acumulado do ano, não houve correspondente queda na receita líquida, que se manteve estável tanto no terceiro trimestre quando no acumulado do ano, em virtude da relação ao preço das matérias-primas no mercado internacional, que se mantêm firmes. O aumento de preços das matérias-primas compensou a redução no volume. No último trimestre, a Fertilizantes Heringer aumentou em 43,7% o prejuízo líquido, para R$ 13,096 milhões, em comparação com prejuízo líquido de R$ 9,115 milhões em igual período de 2024. No período, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativo em R$ 2,191 milhões, 6,1% maior que os R$ 2,064 milhões registrados no terceiro trimestre de 2024. Já a receita líquida cresceu 1,1% na mesma base comparativa, passando de R$ 1,506 bilhão no terceiro trimestre de 2024 para R$ 1,523 bilhão ao fim do terceiro trimestre deste ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.