28/Jan/2026
Segundo avaliação da plataforma de fretes GoFlux, o volume transportado de grãos e açúcar no Brasil deve crescer 12 milhões de toneladas em 2026 na comparação anual, o equivalente a quase 1 milhão de toneladas adicionais por mês, enquanto a frota de caminhões encolhe com a saída de veículos antigos de circulação. O descompasso entre oferta de carga e capacidade de transporte deve manter os fretes sustentados e reduzir ainda mais a margem dos produtores rurais, já afetada pela fraqueza nos preços das commodities. A frota de caminhões não se expande no mesmo ritmo da produção e vem diminuindo ano a ano. Foi destacada a necessidade de renovação de frota e ganhos de produtividade no transporte. A GoFlux opera uma plataforma digital de negociação de fretes e movimentou 52 milhões de toneladas em 2025, cerca de 13% de todo o frete rodoviário do País, com valor transacionado superior a R$ 12 bilhões. A combinação de comercialização lenta, margens pressionadas e safra grande configura um ambiente favorável a fretes levemente mais altos.
Mesmo sem crescimento de dois dígitos nas tarifas rodoviárias, a pressão sobre os produtores se intensifica diante da fraqueza nos preços das commodities. Segundo o J.P. Morgan, há expectativa de ajuste para baixo nas tarifas ferroviárias, ainda que os fretes rodoviários comecem a subir. Nesse contexto, os operadores ferroviários devem priorizar a otimização de volumes em vez de buscar preços mais altos no curto prazo. No transporte ferroviário, o diagnóstico é de mudança de modelo. As ferrovias brasileiras passam por uma transição em que contratos de longo prazo, com cláusulas de take-or-pay, perdem espaço para operações no mercado spot. Esses contratos garantiam volume e preço mínimo, mas vêm sendo abandonados. Para permanecerem competitivas, as ferrovias precisam oferecer tarifas abaixo das praticadas no transporte rodoviário. Nos últimos anos, foi observado que as ferrovias aumentaram tarifas de forma excessiva, levando tradings a optarem por preços spot ligeiramente mais altos com caminhoneiros em troca de maior flexibilidade.
No médio e longo prazo, as ferrovias tendem a atuar como tomadoras de preço, e não formadoras, diante do ritmo limitado de investimentos em infraestrutura. Daqui para frente, as ferrovias devem operar cada vez mais em base spot e provavelmente permanecerão como price takers, e não price makers, na próxima década, em grande parte devido ao investimento limitado em infraestrutura no Brasil. Nesse contexto, projetos em andamento são considerados relevantes, mas insuficientes para mudar estruturalmente o quadro logístico. Entre eles estão a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que busca ligar Mato Grosso à malha ferroviária nacional; a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), planejada para conectar o interior da Bahia ao litoral; e a Ferrogrão, proposta para escoar grãos do norte de Mato Grosso até os portos do Arco Norte, no Pará e no Maranhão. Essas iniciativas são vistas como incrementais, já que a produção de grãos deve superar a capacidade logística. Contratos spot estão se tornando a nova norma no transporte ferroviário.
O estudo também aponta o etanol de milho como fator relevante de mudança na logística. Com usinas instaladas próximas às regiões produtoras, o consumo interno do cereal reduz a dependência das exportações e altera os fluxos de transporte. A GoFlux não espera que o Brasil exporte mais de 30 milhões de toneladas de milho por ano no médio prazo, especialmente com o crescimento da demanda doméstica para etanol de milho. As perspectivas de exportação de milho seguem limitadas por fatores como a dependência do Irã como comprador relevante em um ambiente de tensões geopolíticas e o potencial retorno da oferta ucraniana ao mercado. A produção de etanol de milho ao longo de todo o ano favorece rotas rodoviárias mais curtas e aumenta o giro dos caminhões dentro dos Estados produtores. As ferrovias têm menor probabilidade de capturar esse segmento, o que intensifica a competição entre os modais pelas 30 milhões de toneladas de milho destinadas à exportação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.