29/Jan/2026
Segundo estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), os custos logísticos do Brasil em 2025 somaram R$ 2,0 trilhões, o equivalente a 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em valores absolutos, houve crescimento de 7% em relação a 2024, quando totalizaram R$ 1,8 trilhão, ou 15,6% do PIB. A proporção é muito superior ao custo logístico dos Estados Unidos, equivalente a 8,8% do PIB, e mostra que o Brasil estacionou em um nível elevado de despesas com o setor. A série histórica do ILOS, iniciada em 2004, indica que os gastos com logística no País atingiram o piso em 2014, quando representaram 10,4% do PIB e tiveram o menor peso em relação à produtividade.
Nos últimos dez anos, o Brasil transportou 25% a mais em volume de carga com praticamente a mesma infraestrutura logística, o que resultou em aumento gradativo das despesas com transporte. Isso se reflete na safra agrícola, que tem batido recordes, mas com maior participação do modal rodoviário na matriz de transportes. Como o Brasil não tem uma infraestrutura fluvial e ferroviária adequada, a maior parcela do crescimento acaba indo para o rodoviário, que é um modal mais caro. O efeito é que acaba freando um pouco a economia do Brasil. Para cada alta de 1% do PIB, a demanda por transporte rodoviário cresce cerca de 1,4%. Quando há retração da economia, o impacto é da mesma magnitude, porém negativo.
É muito comum que se sinta uma retração ou aquecimento da atividade econômica com base no transporte. Os gargalos logísticos podem também pressionar a inflação. No exemplo da safra agrícola, se o produtor precisar escoar mais produção pelo transporte rodoviário (por falta de opção), haverá impacto inflacionário por causa do mix de transporte, que recorre a modais mais caros. O setor exportador sentiria primeiro o aumento de custos, mas o efeito poderia chegar ao consumidor. No exemplo do agro, a produção está mais para o interior e a maior parte do consumo, mais próximo do litoral. Então é preciso transportar a carga por longas distâncias, e acaba contribuindo para a inflação.
Não pelo aumento do preço da gasolina em si apenas, mas pela carência da infraestrutura. A pesquisa "Custos Logísticos e o Impacto nas Empresas Brasileiras" é realizada anualmente pelo ILOS e usa dados de fontes públicas nacionais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Banco Central. O estudo é conduzido pela equipe do ILOS desde 2004 e já foi apresentado a órgãos do governo federal e ao Banco Mundial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.