30/Jan/2026
Segundo o Itaú BBA, a 3tentos manteve rentabilidade no segmento de insumos agrícolas em período marcado por recuperações judiciais e prejuízos generalizados no setor, resultado que a companhia atribui a políticas conservadoras de crédito e relacionamento de longo prazo com produtores. A gestão de risco da companhia é baseada em histórico e dados acumulados ao longo de anos de relacionamento com cada cliente, o que permite decisões de crédito mais rápidas sem abrir mão de critérios rigorosos. A empresa completa 31 anos em 4 de fevereiro e registrou lucro em todos os exercícios desde a fundação. A companhia evita crescimento acelerado sem controle e opera com processos formais de avaliação de crédito. A 3tentos está presente em sete Estados e atua de forma integrada em revenda de insumos, originação de grãos, processamento e biocombustíveis.
O setor de insumos no Brasil enfrenta dificuldades desde 2023, com estoques elevados, margens comprimidas e inadimplência em alta. Empresas como AgroGalaxy e Belagrícola entraram em recuperação judicial, enquanto outras revendas regionais registraram prejuízos operacionais. Nesse cenário, a manutenção de rentabilidade tornou-se exceção no segmento. O desempenho é atribuído à presença constante em campo e ao conhecimento do perfil produtivo de cada cliente. A 3tentos mantém dois centros tecnológicos homologados pelo Ministério da Agricultura para testes de produtos que ainda serão lançados. Todos os segmentos e pilares são importantes dentro desse ecossistema. A expansão geográfica recente tem foco em Tocantins e no Pará, onde a companhia identifica transição de pastagens degradadas para agricultura.
A presença nessas regiões segue lógica produtiva, acompanhando produtores que migram da pecuária extensiva para sistemas agrícolas mais intensivos. No Rio Grande do Sul, a aposta está na canola como cultura de inverno. A área plantada alcançou 220 mil hectares na última safra, volume ainda pequeno diante dos 7 milhões de hectares de soja plantados no Estado na safra de verão (1ª safra). A planta de Ijuí já foi adaptada para processar a oleaginosa, cujo óleo é destinado à alimentação humana e à produção de biodiesel. A canola veio para ficar. A cultura pode permitir ao Estado ter 2ª safra relevante, similar ao milho na Região Centro-Oeste. No inverno, o Rio Grande do Sul planta cerca de 1 milhão de hectares de trigo, enquanto o restante da área fica com aveia ou culturas de cobertura.
A meta de longo prazo é atingir 1 milhão de hectares de canola, permitindo rotação anual com trigo. A 3tentos opera duas fábricas de biodiesel, em Ijuí (RS) e Lucas do Rio Verde (MT), e está finalizando planta de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT), com operação prevista para abril. A unidade produzirá também DDG (farelo de milho), que será oferecido a pecuaristas da região. A companhia anunciou ainda investimento em segunda planta de etanol em Redenção (PA). A estratégia é produzir próximo ao consumo para reduzir custos logísticos. A planta de Lucas do Rio Verde está a cerca de 2.200 quilômetros de Santos (SP) e atende ao mercado local. O blend de biodiesel no diesel deve subir de 15% para 16% em 2026, com previsão de chegar a 20% nos próximos anos, conforme lei do Combustível do Futuro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.