16/Mar/2026
A Vittia registrou lucro líquido ajustado de R$ 32,1 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 30,8% em relação ao mesmo período de 2024. A receita líquida somou R$ 258,1 milhões entre outubro e dezembro, avanço de 0,9%, insuficiente para compensar a pressão sobre as margens em um ambiente de custos mais elevados e dificuldade de repasse de preços no mercado de insumos agrícolas. O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 45,6 milhões no trimestre, recuo de 25,6% ante o quarto trimestre de 2024. A margem Ebitda ajustado caiu 6,3 pontos porcentuais, para 17,7%. Segundo a companhia, o desempenho foi influenciado principalmente pelo aumento de 8,6% no custo do produto vendido (CPV), que comprimiu o lucro bruto em 12,3% no período. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Vittia, Alexandre Del Nero Frizzo, disse que o trimestre manteve o padrão observado ao longo de 2025, com crescimento modesto de vendas e deterioração da rentabilidade.
"Conseguimos entregar um pequeno crescimento de receita líquida, mas não conseguimos manter as margens. Tivemos queda no lucro bruto, no Ebitda e no lucro operacional", afirmou. Segundo ele, a principal dificuldade enfrentada pela empresa foi a impossibilidade de repassar a inflação de custos ao produtor rural. "Ou o preço está igual ou menor em algumas linhas. Quando você tem inflação de custos nesse cenário, fica muito difícil recuperar margem", disse. O resultado contábil reportado divergiu do lucro ajustado por causa de um evento extraordinário relacionado à recuperação de tributos pagos em anos anteriores. A companhia reconheceu R$ 24,3 milhões em créditos fiscais após revisar pagamentos realizados em exercícios anteriores. Com esse efeito, o lucro líquido reportado subiu 7,5% no trimestre, para R$ 49,9 milhões. "O resultado reportado apresenta crescimento por causa dessa recuperação de tributos, mas o operacional reflete um cenário desafiador de preços e custos no segmento de insumos", afirmou Frizzo.
Por segmento, os fertilizantes de solo foram o destaque do trimestre, com receita de R$ 79 milhões, alta de 74,7% na comparação anual. A linha, de menor valor agregado, sustentou o crescimento de faturamento num momento de maior cautela do produtor na compra de insumos. "A gente viu uma migração para linhas mais comoditizadas, de menor tecnologia. Se a gente não tivesse essa linha, não conseguiria entregar crescimento de receita no ano", afirmou Frizzo. Já as soluções biológicas e naturais e os fertilizantes foliares e produtos industriais recuaram no período, pressionados pela seletividade mais intensa dos produtores diante da compressão de margens no campo. No acumulado de 2025, a Vittia registrou receita líquida de R$ 820,0 milhões, crescimento de 4,2% em relação a 2024, com os fertilizantes de solo respondendo pelo principal vetor de expansão: R$ 263,6 milhões no ano, avanço de 43,2%. O Ebitda ajustado anual somou R$ 115,2 milhões, queda de 13,6%, com margem de 14,1%. O lucro líquido ajustado recuou 20,0%, para R$ 60,2 milhões.
A geração de caixa operacional foi um dos destaques do ano, totalizando R$ 110,5 milhões, expansão de 69,6% em relação ao exercício anterior. A dívida líquida encerrou dezembro em R$ 125,6 milhões, com alavancagem de 1,09 vez o Ebitda ajustado. As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) cresceram 1,3% no ano, para R$ 179,9 milhões, ritmo abaixo da inflação de custos da companhia. No período, a companhia destinou R$ 50,5 milhões ao retorno aos acionistas, sendo R$ 33,8 milhões em proventos e R$ 16,7 milhões em recompras de ações. O diretor financeiro da Vittia, Alexandre Del Nero Frizzo, afirmou que a companhia pretende manter em 2026 o programa de recompra de ações, embora com cautela. Para o executivo, o desconto observado no mercado não reflete os ativos da empresa nem sua posição no segmento de biológicos. "A Vittia está hoje sendo negociada abaixo do valor do seu patrimônio líquido, o que a gente entende que é totalmente fora de uma razoabilidade", disse. Frizzo citou como exemplo a fábrica de biológicos da companhia em São Joaquim da Barra (SP), considerada a maior da América Latina no segmento.
A unidade foi construída há cinco anos e, segundo o executivo, está registrada na contabilidade por valores inferiores ao custo atual de reposição. Na avaliação dele, o desconto observado no mercado faz com que a empresa seja negociada abaixo do valor de seus próprios ativos. "A Vittia tem uma fábrica de biológico que foi construída já há cinco anos, ou seja, que está com um preço lá na nossa contabilidade super defasado. E a gente vale menos do que a contabilidade. Ou seja, se a gente fosse pensar na Vittia, a Vittia é o ativo mais barato”, destacou. Apesar desse desconto, o CFO destacou que qualquer movimento de recompra seguirá subordinado à preservação da solidez financeira. "A gente tem que continuar olhando para a estratégia de recompra, mas sempre com muita cautela, porque a preservação da nossa saúde e solidez financeira é primordial, até mais importante do que aproveitar oportunidades de recompra", disse. Em 2025, a empresa destinou R$ 50,5 milhões ao retorno aos acionistas, sendo R$ 33,8 milhões em proventos e R$ 16,7 milhões na aquisição de ações próprias.
Segundo Frizzo, a posição financeira da Vittia contrasta com parte do setor de insumos agrícolas, que enfrenta níveis elevados de alavancagem e pedidos de recuperação judicial. "A gente vê no agro um nível de alavancagem médio importante, tanto de agricultores quanto também da parte da indústria de insumos, com vários pedidos de recuperação judicial e tudo mais, e a gente está muito sólido", afirmou. A dívida líquida da companhia encerrou dezembro em R$ 125,6 milhões, com alavancagem de 1,09 vez o Ebitda ajustado. A empresa também não registrou deterioração relevante na qualidade de crédito de clientes. "Temos tido um bom resultado do ponto de vista de recebimentos. Não temos tido problemas com inadimplência", disse o executivo. Para 2026, Frizzo prevê um terceiro ano consecutivo de dificuldades para o mercado de insumos agrícolas. "Mais um ano difícil. Não vemos mudanças nesses fundamentos", afirmou, citando juros elevados, crédito restrito e margens apertadas no campo.
No médio prazo, porém, ele vê espaço para melhora do cenário, apoiado na expansão da demanda global por proteínas e no crescimento do etanol de milho. “A gente vê um cenário um pouco melhor, não para 2026, mas para 2027, dentro das perspectivas de oferta e demanda, mas a gente não pode contar com isso, porque 2026 vai ser duro, e a gente tem que estar preparado para o 27, ou melhor ou igual", disse. A estratégia da companhia para atravessar o período segue baseada em duas palavras, segundo o executivo: "eficiência e racionalização". Frizzo afirmou que ainda é cedo para avaliar os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de insumos agrícolas, mas disse ver, por ora, mais risco de elevação de custos do que perspectiva de recuperação de receita. "Ainda estou vendo um pouco mais de risco do que de oportunidade. O impacto maior deve vir nos custos de insumos do que na nossa parte de receita, ou seja, não vejo uma recuperação muito forte do preço de grãos", disse. Qualquer avaliação mais consistente, segundo ele, depende da duração do conflito.
"A guerra pode acabar em uma, duas semanas, e aí esse preço volta. É muito cedo para fazer afirmações mais consistentes", afirmou. O executivo comparou o atual conflito com a guerra entre Rússia e Ucrânia para explicar por que o impacto sobre o mercado agrícola tende a ser diferente. No caso ucraniano, houve redução da oferta de grãos no mercado internacional, o que levou os preços para cima. No Oriente Médio, o efeito tende a ser distinto. "O Irã não é produtor de grãos, é consumidor, principalmente de milho. Então sob esse aspecto, não é positivo para o agro, porque na Ucrânia a gente estava tirando oferta de grãos do mundo. Aqui, a gente não está tirando oferta", disse. O principal canal de transmissão do conflito para o agronegócio passa pela energia. A alta do petróleo tende a elevar custos ao longo da cadeia de produção agrícola e da indústria de insumos. "O impacto do petróleo é um impacto de custos mundiais. Isso preocupa todo mundo", disse. Eventuais efeitos positivos para o Brasil dependeriam de impactos mais amplos sobre outros países produtores ou consumidores de grãos.
"Se a gente começa a ter energia muito cara para a China, de repente pode inviabilizar algumas indústrias, e aí o Brasil começa a ser beneficiado por não estar tão diretamente afetado pelo conflito", avaliou, ressalvando que o cenário ainda é incerto. O pano de fundo para essa discussão é um mercado de grãos com oferta folgada. A safra brasileira de soja e milho está praticamente consolidada, o que significa que o olhar do setor se volta agora para o plantio nos Estados Unidos como principal variável de preço. No campo comercial, o encarteiramento de insumos para a safra 2026/27 segue muito incipiente. Produtores vinham evitando antecipar compras em razão das margens apertadas e das condições de crédito. O conflito começou a alterar esse comportamento à margem. "O que o conflito está fazendo um pouco é fazer com que os produtores venham olhar com preocupação para os custos e comecem a considerar fechar alguns negócios. Porém, é muito cedo. A gente está falando de duas semanas de uma guerra mais intensa", disse Frizzo.
Ainda, Alexandre Del Nero Frizzo, afirmou que a companhia encerrou o ciclo de racionalização estrutural iniciado em 2023 e que a redução de despesas que marcou os últimos dois anos não deve se repetir. Segundo ele, a estrutura atual está adequada para suportar crescimento sem novos cortes. A avaliação foi feita durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025. "Os cortes foram em busca de eficiência de coisas que foram criadas dentro do período de rápido crescimento e que não estavam gerando retorno. A vida é assim, os ciclos são assim. Sobre esse ponto de vista, acredito que estamos hoje bem equacionados. Não temos uma visão de mudança significativa, pelo menos não no cenário atual", disse Frizzo. O executivo explicou que a expansão acelerada até 2022, quando o mercado de insumos agrícolas vivia um ciclo de euforia, gerou uma estrutura de custos que precisou ser ajustada a partir do momento em que o ambiente ficou mais adverso.
"Todo mundo que está crescendo muito rápido acaba às vezes não sendo tão eficiente do ponto de vista de estrutura e despesa. Isso a gente já fez", afirmou. Segundo ele, o que distingue o momento atual é que os cortes deixaram a companhia enxuta sem comprometer a capacidade comercial ou os investimentos estratégicos. Segundo a companhia, as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) ajustado totalizaram R$ 179,9 milhões em 2025, crescimento de 1,3% em relação a 2024, patamar abaixo da inflação de custos da companhia e equivalente a 21,9% da receita líquida, queda de 0,6 ponto porcentual. No quarto trimestre, o SG&A reportado caiu 42,1%, para R$ 26,8 milhões, movimento influenciado pela recuperação extemporânea de tributos de R$ 24,3 milhões reconhecida no período. Frizzo destacou que a busca por eficiência não acabou, mas mudou de natureza.
"Mesmo tendo feito tudo isso, estamos com uma estrutura que permitiria crescer. A gente está buscando o resultado nos pequenos detalhes. Não existe um único ponto, e é um pouco isso que é a estratégia: ser o mais produtivo e o mais eficiente", disse. O encerramento da unidade de Patos de Minas (MG), concluído em setembro de 2025, foi citado como um exemplo desse trabalho, ao concentrar a produção de fertilizantes de solo em Serrana (SP) e contribuir para a recuperação da margem bruta da linha no último trimestre. A geração de caixa operacional somou R$ 110,5 milhões em 2025, crescimento de 69,6% em relação ao ano anterior. A dívida líquida encerrou dezembro em R$ 125,6 milhões, com alavancagem de 1,09 vez o Ebitda ajustado, mesmo nível de 2024, apesar da queda de 13,6% no indicador de rentabilidade. Fonte: Broadcast Agro.